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sábado, 7 de novembro de 2015
-Winnicott não tem obras completas, e sim coletâneas.
-Winnicott se situa no “grupo do meio”, entre Kleineanos e
Freudianos, pois não aderia a nenhuma dessas teorias completamente.
-Existe uma corrente no Brasil que afirma que Winnicott
rompeu com a psicanálise e a reinventou. Outra corrente afirma que ele é
freudiano. São questões teóricas que não interferem na clínica.
-Foi presidente da sociedade de psicanálise.
-Afirmou que: “não é possível ser original fora da
tradição”. As coisas se opõem, mas convivem.
-Fez supervisão com Melanie Klein.
-Por muito tempo as pessoas olharam para o mundo interno e
esqueceram da realidade externa. O contexto importa (mãe real). Trabalhou em
contexto de guerra (evacuação de crianças). A constituição psíquica não é
intra, mas sim interpsíquica (relação com o outro).
-Teve mãe depressiva; casou com uma mulher que, por muito
tempo, viveu em um hospital psiquiátrico; casou-se novamente com uma assistente
social que o ajudava na evacuação de crianças da guerra; não teve filhos; tinha
facilidade de lidar com crianças (empatia); era médico, começou como pediatra e
viu a importância da mãe real (o sintoma estava relacionado a uma necessidade
da mãe); também trabalhou com psicóticos.
-Questionou se não é possível prevenir a psicose (depende
do ambiente).
-O ambiente favorece ou dificulta o desenvolvimento. Existe
uma tendência inata para o desenvolvimento, depende da “sorte” da criança de
ter um ambiente que facilite esse desenvolvimento (falso selfie, que se submete
ao ambiente e não é saudável).
-Mãe suficientemente boa: que não faz mais e sufoca, nem
menos e deixa em falta.
-A linguagem é mais direta, se diferenciando da
metapsicologia (sem ficção ou abstração).
-Quando brinca, a criança tem experiências com valores
constitutivos.
-Winnicott fala da importância do pai no apoio para a mãe.
-Criou o jogo do rabisco para ter acesso à criança.
-Criou a consulta terapêutica: efeito terapêutico em poucas
consultas.
-Experiência completa: começo, meio e fim.
-Interpretação (recurso técnico para quando o paciente tem
condições de absorver).
-Manejo: a pessoa tem compreensão do que aconteceu. Mas não
devemos agir com enunciação e sim em atos (postura, modo de lidar e fazer com o
paciente). As vezes não pode sé com representação (envolve capacidade simbólica).
-É importante saber em que condição psíquica o paciente
está (pode estar evoluído e regredido na mesma sessão).
-Despersonalização do psicótico: ele não se sente no
próprio corpo.
-Para chegar no Édipo passa por um desenvolvimento grande
(ser eu, relação com o outro e inclusão do 3°).
-Chama ansiedade depressiva de Melanie Klein de consernimento
(o bebê não quer apenas reparar, ele vê o que fez e se responsabiliza, querendo
retribuir). Implica alto grau de desenvolvimento (integração da agressividade).
-Discorda da ideia de pulsão de morte de Freud.
-O bebê é raso, sem profundidade, complexidade (vai
desenvolver). Acha que Melanie Klein via o bebê como profundo.
-O bebê primeiro tem que ter o ego, depois vai projetar e introjetar.
Primeiramente deve ter o eu integrado.
-O bebê não existe, o que existe são dois em um (mãe e
bebê).
-Motilidade: ir em direção a realidade, não é pulsão de morte.
É um movimento em direção a vida (agressividade), exemplo: batendo o pé,
mordendo.
-Estabelecer limites é dar lugar ao ódio também.
-Desenvolvimento emocional primitivo é fundamental.
-Jogo da espátula: a criança tem o interesse, se o ambiente
permite, ela o pega, põe na boca e descarta. Tem uma experiência completa com
sentido terapêutico. Já compreende que tem interior e exterior. Mostra que sabe
que está enriquecendo com a experiência e pode descartar. Cada detalhe pode ser
perdido (regressão). Sabe que é separado da mãe e está começando a dar
importância a ela (6 meses), Melanie Klein chama de posição depressiva.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
RESUMÃO: Psicologia e Políticas públicas
Postado em Psicologia e Políticas Públicas
Psicologia e Políticas públicas – NP1
-Nós somos o que estamos: os
papeis se alteram dependendo do contexto.
-Mundos objetivos e
subjetivos caminham juntos e se relacionam o tempo todo.
-Polis (grego – cidade) à política
(viver em cidade).
-Civis/civilis (latim –
civilização/civil).
-Comum: viver junto
(comunidade, comuna, comunismo).
-Direito é o atenuante
social, o ponto de equilíbrio entre opostos.
-Negociação (Nec –não- e
Ocion –ação-): criar regras. Debater ideias e chegar a acordos (mesmo que não
consensuais).
-Nós atribuímos significados
à tudo que existe ao nosso redor (pode ser nosso avesso – não se ver parte do
todo, ex: pensar a ideia de Deus ou infinito).
-Política: negociar uma
possibilidade de sentido concreto dentro dos nossos limites.
-Mercantilismo: moeda começa
a ser importante e o feudalismo começa a cair. Passagem de teocentrismo para
antropocentrismo (homem como mediador das coisas). Passagem para o renascimento
(neoclassicismo).
-Hobbes: “o homem é o lobo
do homem” (a ameaça de si próprio). É despertado pelo sentimento de posse.
-Necessidade de um estado
que faça pacto de acordo mútuo.
-Igualdade: lei (todos têm
direito).
-Adam Smith:
liberalismo/liberal (existem leis naturais no mercado, que o autorregulam).
-Lei da oferta e procura: o que
existe em abundância vale menos e o que é restrito vale mais.
-Darwinismo social: os mais
qualificados irão prosperar.
-Nos baseamos em preservação
do indivíduo e da espécie (mais importante).
-Idade Média: classe social por títulos de nobreza.
-Reestruturação do estado: liberdade (liberalismo) – Adam
Smith – lei de oferta e procura, darwinismo social – conceito de naturalidade
(Deus fez / também presente em Lock e Rousseau).
-Conceito de natural envolve aspectos bons ou maus, são
conceitos morais (humanos): o homem criou ele mesmo e tudo ao redor (natural é
uma outra apropriação humana).
-Estudo da moral: ética (ethos) – o bom é coletivo, não
apenas individual.
-Justiça: equilíbrio, equidade. Segundo Platão, há uma
coisa acima da justiça: o bem (equilíbrio entre o eu e o nós).
-A ideia de natural gera acúmulo de riquezas.
-Marilena Chauí: ideologia (esperança, crenças, dogma).
Permitimos que as coisas sejam desse jeito por acreditarmos que é possível
chegar a uma posição melhor.
-Muitas pessoas reunidas conversam e percebem que as coisas
estão ruins – movimento dos operários (em meio a um darwinismo social).
-Karl Marx estudou o capitalismo (O Capital / Der Capital).
Estudos sobre a mais valia (desigualdade) – revolução russa.
-Ideia de Welfare State (estado de bem estar social) –
guerras, crise de 29 – dar conta das pessoas que não têm condições (políticas
públicas).
-John K: estado para restabelecer o equilíbrio econômico
por meio de uma política fiscal.
-Estado precisa estar sob um estado de direito, onde dá
conta da ideia de igualdade em questão legislativa. O exercício de direito só
se dá em ato, não em potência. É necessário criar oportunidades para o
indivíduo usufruir do direito.
-No Brasil, as políticas públicas tentam dar vida às leis.
-De legislação do proibido para legislação da
possibilidade.
-Marshall: manter os direitos
individuais é obrigação do estado, assim como garantir os mínimos necessários
(saúde, educação, segurança, transporte).
-Durante 24 anos, existiram
dois partidos: MDB e ARENA (extrema direita, prefeito biônico – nomeado).
-1920: 30% das pessoas
morando na cidade e 70% no campo (agrícola). A maioria dos produtos era
produzida nos campos e vendida na cidade.
-1970: 70% das pessoas
morando na cidade e 30% no campo (sociedade industrializada). Isto favoreceu o
acúmulo de capital em uma pequena parcela da população, onde 20% tem acesso a
2% da renda nacional e 10% tem acesso a 50% dessa renda. O Brasil sendo
conservador, autoritário (não consulta as massas) e hierárquico/centralizador.
A cultura era remediativa, com um estado desenvolvimentista.
-A consolidação das leis de
trabalho uniu ideias que estavam desconexas e, por vezes, contraditórias. Surge
a ideia de salário mínimo (garantir os mínimos sociais).
-A queda do muro de Berlim
gerou uma mudança de paradigma do estado.
-Conceito de
internacionalização da economia se intensificou: geração de emprego e produção
no território alheio.
-Saúde: estado/estar.
-Ideia biologizante: órgãos
com funcionamento adequado ou não.
-Existe um padrão instituído:
normal/saúde. O que foge dessa média de comportamentos é considerado
anormal/doença.
-O “normal” é cultural.
-A ideia de cura é levar a
pessoa para o padrão socialmente aceitável. Se mudamos as expectativas da
sociedade, mudamos o padrão. O que não é aceitável para uma sociedade, pode ser
para outra.
-O que determina a saúde é o
meio onde vivemos (ideia dinâmica). Também está relacionada com a interação
social.
-Prevenção da saúde mental:
normatização de comportamentos e condutas.
-Viver é dinâmico, mas
possui um controle intenso que gera efeitos colaterais (doença).
-Definição de 1948: saúde é
um estado completo de bem-estar físico, mental e social.
-Prevenção de saúde
pressupõe ações sociais. Participação social, cultura, solidariedade, justiça,
segurança, limpeza, organização.
-Cria-se leis e, em seguida,
leis específicas para colocar em prática a primeira (ou se aproximar).
-SUS: saúde é um direito das
pessoas. O governo deve garantir os acessos.
-Equidade: tratar
diferentemente os diferentes.
-Universalidade, equidade,
igualdade e integralidade.
-Aprendemos a apropriação do
que foi ensinado. Ensinar é impossível.
-Ensinar saúde é impossível,
educar é normatizar (colocar no padrão). Podemos criar situações onde a
apropriação seja possível.
-De 1930 a 1950 o Brasil
investiu na industrialização. Em 1980 o investimento havia caído (investimento
de apenas 17%).
-A América do Sul teve uma
militarização generalizada por interesse dos Estados Unidos, com receio de que
o comunismo se espalhasse. Os discursos de esquerda têm adesão maior quando a
situação está ruim (América latina subdesenvolvida), então focaram na
militarização.
-Liberdades civis:
direito a propriedade; direito de ir e vir; direito de voto/participação
política. “Liberdades” que se contradizem, pois dependem de interesses maiores.
Se questionar o direito de participação política, será censurado.
-O início foi em 1964 e o
ápice em 1968 com o ato institucional 5, onde os partidos políticos foram
dissolvidos. Antes eram apenas dois hegemônicos: MDB (Movimento democrático brasileiro)
e ARENA (Aliança renovadora nacional).
-Para presidente da
república, não tem eleição direta. Democracia
representativa: elege deputado e deputado elege presidente.
-Linha hegemônica da
época: Psicanálise (normalidade e anormalidade, doente e saudável).
Elitista, consultório particular. O conteúdo manifesto era a repressão, o
latente eram as pressões que a censura tentava esconder. Contexto que
influenciava a Psicologia.
-Antes de qualquer coisa, o
psicólogo deve ter um bom ouvido e compreender a subjetividade de sua época.
-Último presidente militar:
João Batista de Oliveira Figueiredo.
-Assinatura do movimento da
anistia (liberdade). Ideia de abertura política.
-A segregação é afastar do
nosso olhar tudo que foge a concepção de “normal” (pobres, “loucos”, bandidos,
idosos). Age com penalização, privação de liberdade.
-Movimento anti-manicomial:
discurso libertário, anti-segregação, pensar como reintegrar na sociedade as
pessoas vítimas da segregação. Abertura do campo da Psicologia.
-Saúde não é ausência de
doença, é uma ideia de integralidade.
-Os psicólogos chegaram aos
postos de saúde e receber pessoas com demanda escolar, idosos, gestantes e
pessoas com problemas além de subjetivos: sociais. A visão do psicólogo era de
um conceito clínico tradicional (rotulação, ideia de saúde e doença, pacientes
usando o rótulo como muleta) e o desafio era adaptar às novas necessidades.
-Sujeito genérico da
Psicologia: pobreza (inclusive delinquência). O psicólogo no combate à pobreza:
promoção social da Psicologia com a assistência social. A ideia de liberdade de
pensar (instrumentos para ser protagonista da própria história, conteúdo
cultural): autonomia. O psicólogo deve promover condições de autonomia.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
RESUMÃO: Psicologia Escolar
Postado em Psicologia escolar
Resumo de Psicologia Escolar – NP1
-Marginalidade: estar à margem. Depende do contexto.
-A educação serve para equalizar e superar quem está à margem. Entender
de modo político a razão de algumas pessoas estarem à margem.
-Teorias críticas: Existem condições de ensino que influenciam
(fatores externos ao esforço individual que provocam o fracasso e a evasão
escolar).
-Teorias não-críticas: indivíduo à margem por questões
individuais. Consideram como único responsável o próprio indivíduo, descartando
outras questões que influenciam no processo. A escola traz instrução e tem a
função de transmitir conhecimentos de modo sistemático. O marginalizado é o
ignorante (quem não tem a quantidade considerada adequada de conhecimento). O
professor é o modelo e deposita nos alunos o conhecimento que julga necessário,
não supera a marginalização (pedagogia tradicional).
-Teorias críticas-reprodutivas: existem fatores externos ao
indivíduo (políticos e econômicos de ensino e aprendizagem) que acontecem de
forma intencional para manter o capitalismo em funcionamento (teorias ingênuas
/ sistemas de exploração). Se todos tiverem acesso a um bom ensino, o
capitalismo seria afetado. Acreditar que o conhecimento nos dá melhores
condições de vida é a reprodução de um sistema.
-Escolanovismo: o marginalizado é anormal e desajustado. É
rejeitado e ocorre uma biopsicologização da sociedade (entendimento da criança
e seu desenvolvimento / cumplicidade entre a Psicologia e a escola). Tem-se uma
essência boa e ruim, com tendência a ser boa (pode ser corrompida pelo mundo).
Deixa os alunos livres para escolher o que querem aprender e o professor age
como um facilitador.
Medicalização do
ensino
-Tentativa de padronizar/normatizar o mundo.
-Tratar o sintoma, não a causa.
-Dar nome às diferenças e não resolver o problema.
-Colocar no indivíduo um problema externo.
-Transformar questões sociais em situações médicas.
-Qualquer criança com dificuldade de aprender era levada para a
Psicologia ou para a Psiquiatria, que rotulavam/patologizavam e receitavam
remédio. Com isso, a indústria farmacêutica era favorecida.
-É fabricado socialmente a partir de um sistema inadequado de ensino.
-O professor trabalha com um processo de ensino e aprendizagem.
-Diferente no processo de escolarização (relação de ensino e
aprendizagem), diferente no processo de aprendizagem (aluno).
-Medicalização não é apenas tomar remédio, e sim a patologização de algo
social.
-O aluno é pontuado e a escola não se adapta.
-Ana Bock: quando a Psicologia é necessária para a educação? Como pode
ocorrer a atuação do psicólogo?
Tradicional
-Ao nascer, o homem possui uma natureza dupla (parte boa e parte
corrompida). A escola molda para que a parte boa se sobressaia. O professor é
um exemplo a ser seguido e ensina quem o aluno deve ser, vigiando os
“corrompidos” para que não influenciem os demais.
-O positivismo impera (verdade única). Diziam que a duplicidade era
natural/orgânica.
-O professor é o modelo aperfeiçoado de ser humano e a escola é regrada.
-O psicólogo não tinha papel.
Escola nova
-Ainda com a ideia de duplicidade, mas o homem nasce bom e quem o
corrompe é o mundo (homem tem uma parte frágil). Devemos vigiar para que ele
não seja corrompido.
-O marginal é anormal; homens diferentes e educação serve para corrigir
o imperfeito; biopsicologização da educação e da sociedade, ajustando o
indivíduo à sociedade e proporcionando a aceitação dos demais.
-A ajuda do psicólogo acontece quando ele é corrompido (compara pessoas
para ter a média).
-A parte corrompida é desnivelada no âmbito do conhecimento.
-O aluno bom busca conhecimento espontaneamente. Aprender a aprender:
alunos escolhem áreas de interesse e o professor estimula.
-A Psicologia separa os diferentes, sendo cúmplice da exclusão na escola
(dando cunho científico a questões sociais, dizendo que são questões naturais e
individuais).
-A escola tem a intenção de manter a parte boa (base do humanismo).
-O professor age como um facilitador sobre os interesses do aluno. Se
não tem interesses, tem um problema, e o psicólogo irá legitimar.
-Ampliação do psicólogo nas áreas clínica e institucional.
-Teorias do desenvolvimento (cognição, afeto, sociabilidade, psicometria
separando os diferentes para qualificar o processo educacional).
-Cumplicidade ideológica entre Psicologia e educação para
manter os interesses da classe dominante. Utiliza ideias científicas, oculta
determinantes sociais das dificuldades escolares, foca as dificuldades no
sujeito e na família e contribui para a desigualdade social.
-As consequências dessa cumplicidade ideológica são:
manutenção das desigualdades, imagem do indivíduo separado do meio, apoio ao
currículo oculto (valores em texto, música), negação do conhecimento do aluno,
avaliação desigual, Psicologia pautada na correção (descobre o “defeito” e
conserta).
-Intervenções para o desmonte da cumplicidade: denunciar o que é
social, negar a ideia de indivíduo separado do meio, refletir, discutir,
subjetividade nas relações escolares, papel do professor (importância do
professor para o aluno).
-Pedagogia tecnicista: aprender a fazer. O processo educativo se
torna objetivo e operacional; planejamento de técnicas e metas para minimizar o
subjetivo (precisavam de mão de obra, oferecem curso técnico e os formados
ganham menos que universitários); meios tem lugar privilegiado no processo
educativo; professor e aluno em posição secundária; marginalizado é ineficiente,
incompetente e improdutivo; não supera a marginalidade e aumenta a evasão e a
repetência.
-Educação deveria ser um instrumento para equalizar socialmente, superar
marginalidade.
-Teorias não críticas: pedagogia tradicional, marginalizado é
ignorante, propaga instrução e transmite conhecimentos de modo sistemático, o
professor é modelo e deposita no aluno o conhecimento que julga necessário,
aumenta o nível de marginalizados.
-Teorias crítico-reprodutivistas: educação como discriminação
social e marginalização. As condições de produção de vida material favorecem a
divisão entre grupos, que se relacionam à base da força do capital; entender as
relações entre educação e sociedade. O sistema de ensino como violência
simbólica: reforça relações de força material e simbólica (quem não tem, é
marginalizado). Escola como AIE (aparelho ideológico do estado):
reproduz relações capitalistas de produção, propagando aparelhos ideológicos
(religiosos, políticos, familiares, culturais, jurídicos).
-Escola dualista: escola dividida em burguesia e proletariado;
inculca a ideologia burguesa e contribui para a formação da força de trabalho;
valoriza o intelectual em detrimento ao manual.
-Crítica aos mitos e estigmas que os justificam.
-A escola é histórica e cultural: impera a diversidade de diferenças
individuais e coletivas.
-Ideias cristalizadas em relação a gênero, etnia, deficiência, condição
social, religião; crença de que não há fatores políticos e sociais que pretendem
manter distanciamento do conhecimento para parcela da população; material
distante da realidade do aluno.
-Mitos e realidade: distúrbio e deficiência, família
desestruturada, pobreza e aprendizagem, etnia e aprendizagem, cultura e
aprendizagem, deficiência e aprendizagem.
-Pensar de quem são as necessidades: do aluno ou do professor?
-Aprendizagem é processo; não é unilateral; não há melhores ou piores;
privilegiar coletivo ao individual; diagnóstico dinâmico; manifestação dos
sintomas é relacional; homogeneidade não existe; crítica e autorreflexão do
professor.
-Saúde tem conceito centrado no indivíduo, priorizando abordagem
biológica e organicista.
-Medicalização: problemas de origem social e política
transformados em problemas médicos.
-Biologização: redução de conflitos sociais em biológicos.
-Patologização: situações do cotidiano escolar transformadas em
patológicas.
-É mais fácil lidar com um problema orgânico do que a escola mudar. A
medicalização é um alívio para os pais, professores e especialistas.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
RESUMÃO: Desdobramentos da Teoria Psicanalítica
Postado em Desdobramentos da teoria Psicanalítica
Resumo de Desdobramentos da Teoria
Psicanalítica – NP1
-Funcionamento psíquico
primitivo.
-Freud atendeu adultos e
deduziu sobre crianças.
-Melanie Klein é a mãe da
Psicanálise de crianças.
-Criou a técnica do brincar,
onde a criança expõe fantasias e angústias.
-Utiliza linguagem
anatômica/visceral para explicar o psíquico, para dar concretude a algo
subjetivo.
-Criança possui ego muito
primitivo.
-Foi salva pela Psicanálise,
após uma vida difícil (de lutos). Teve 3 filhos e dificuldades de ser mãe. A
teoria foi elaborada através da dificuldade, como uma saída.
-O ser humano é submetido a
forças (bebê com fome).
-Ansiedade desde o
nascimento. Se não superar as dificuldades iniciais, não fortalece o ego.
-Inicialmente, o bebê
projeta agressividade (distorce o objeto externo) e reintrojeta o objeto
distorcido (desenvolvimento psíquico).
-Externo influencia, mas o
predominante é a realidade interna.
-Existe a questão inata: uns
lidam melhor com a frustração, outros não.
-Bebê: capacidade de experimentar
gratidão, inveja, avidez.
-Melanie Klein se
considerava “filha” de Freud por não discordar dos conceitos (apenas antecipou
alguns).
-Psicótico não tem contato
com a realidade, vive na fantasia.
-Inicialmente o bebê tem um
funcionamento psicótico e depois tem a chance de ser neurótico.
-Neurótico: vê o bom e o mau
no mesmo objeto.
-Psicótico: vê o bom e o mau
cindidos (separados).
-Gratificado: internaliza o
objeto bom.
-Frustrado: internaliza o
objeto mau.
-Melanie Klein atendia
crianças pequenas.
-Seu primeiro paciente foi
uma criança com dificuldade intelectual. Melanie orientou a mãe, mas percebeu
que não era suficiente.
-O bebê possui ansiedades
desde o nascimento. O ego arcaico tenta lidar com elas.
-O brincar na criança
funciona como o método de associação livre no adulto (comunicação
inconsciente).
-Num grau extremo de
ansiedade, o desenvolvimento é paralisado ou impedido. Melanie focava na
redução da ansiedade.
-Existe uma ansiedade à Ativa
um mecanismo de defesa à Impede o desenvolvimento.
-No início, o tratamento era
feito na casa da criança, utilizando seus próprios brinquedos.
-A criança tem menos
recursos para explicar seus sentimentos.
-A criança tem menos
repressões, então tudo é mais explícito (está mais no consciente).
-A criança entende o efeito
terapêutico.
-Projeções resultadas das
pulsões de vida/morte causam a introjeção do objeto bom ou ruim.
-Melanie percebeu que
precisava de um setting, pois o bom e o mau eram misturados, o que poderia
complicar o processo terapêutico.
-Começa a atender a criança
separada dos pais.
-É essencial ter brinquedos
pequenos, simples, que não induzam ou impeçam a criatividade. Quanto menos
estruturado o brinquedo, melhor.
-Existe a caixa que todos os
pacientes usam e a caixa individual de cada criança, que só é conhecida por ela
mesma e pelo analista. Isso envolve uma relação de confiança, onde o analista
também promete não divulgar as brincadeiras realizadas.
-Posição
esquizo-paranóide: projeta e introjeta e tem uma ansiedade persecutória (de
perseguição). É cindido (desde praticamente o nascimento - 6 meses). Não existe
uma diferença clara entre fantasia e realidade. Está sempre presente, mas
depende do grau para demonstrar se afetou o desenvolvimento intelectual. A
gratidão não existe, pois não existe o outro.
-Posição depressiva:
sente culpa e tem a noção de que a mãe boa é a mãe ruim. Mais realidade e menos
fantasia. Sempre busca modos para reparar algo que foi destruído.
-Oscilamos entre as posições
esquizo-paranóide e depressiva por toda a vida.
-A criança vai vivenciar na
medida em que aparecem as experiências.
-O psicólogo não passa moral
ou julga. Apenas comunicamos o sentimento.
-A criança vê a relação
sexual como algo agressivo.
-Formação reativa:
representação do extremo oposto do que sente (Freud).
-Melanie Klein descobriu
(ordem cronológica) primeiro a posição depressiva.
-As posições
esquizo-paranóide e depressiva oscilam durante toda a vida, não são fases.
Devem ser elaboradas para um bom desenvolvimento, mas se misturam e perduram
durante a vida. Para o bebê, não é patológico. Acontece através das
experiências (projeção e introjeção) para a formação do eu interno.
-As experiências de
frustração ou gratificação influenciam nas posições.
-Posição esquizo-paranóide:
ainda vive mais na fantasia e tem a visão parcial (seio bom ou seio mau). Se o bebê tem
as necessidades satisfeitas, gera um sentimento de gratidão: projeta e
introjeta algo bom. O bom e o mau precisam ficar separados para o mau não
destruir o bom. Acredita inconscientemente que, se projetou o mau, pode ser
atacado por ele (retaliação): ansiedade
persecutória. Ativa as defesas a partir do conflito.
-Posição depressiva:
tem maior contato com a realidade e possibilidade de reparação. Ataca e
destrói, em fantasia, o objeto que ama. A ansiedade
é depressiva e o objeto é total (bom e mal no mesmo objeto).
-Para Figueiredo, a
Psicanálise liberta de uma forma infantil de amar (forma cindida).
-Para o bebê, o bom é
maravilhoso e o mau é destruidor (vê tudo muito intenso, antes do efetivo
contato com a realidade).
Complexo de Édipo
-Ocorre com 1 ano de idade,
durante o período do desmame. É uma explosão de impulsos genitais.
-Sadismo: agressividade,
pulsão de morte.
-Melanie Klein utiliza o
concreto/material para explicar questões subjetivas: sádico-oral e sádico-anal.
-O superego é rígido,
punitivo e infantil. Bondade e severidade excessivas.
-Inserção do terceiro.
-Parar de mamar não
significa desmame, pois a pessoa ainda pode estar na posição esquizo-paranóide,
com visão cindida.
-O desmame, reforçado pelas
frustrações anais e hábitos de higiene, influencia no momento de
desenvolvimento.
-O ego é arcaico, primitivo
e não nasce preparado, então reprime conteúdo. Estabelece relações de objeto
(parcial e total).
-Impulso epistemofílico:
curiosidade do que existe no interior da mãe.
Complexo de Édipo para o menino
-Mudança de posição
libidinal.
-Ódio das frustrações
anteriores, se opõe ao amor que se inicia pela mãe (primeiro objeto de amor):
ideia de ambivalência.
-Quanto mais cruel o
superego, mais forte a imagem do pai castrador (sexualidade do pai é
transferida e vista na do filho).
-Para o bebê, a mãe possui
tudo e ele tem o desejo de “roubar” esse tudo.
-Para o menino, o pênis do
pai está dentro da mãe (fecundação, parto à dentro da mãe). Teme que seu corpo
seja desmembrado, mutilado (mãe pega as fezes) por ter feito algo errado: ideia
de castração.
-O medo da mãe é esmagador e
se alia ao medo da castração pelo pai.
-Quanto maior a fixação sádica,
maior a competição entre o homem e a mulher (rivalidade mescla entre amor e
ódio).
-Complexo de feminilidade:
para Melanie Klein, o homem deseja a capacidade de gerar. Se sente em
desvantagem e inferior.
-Concepção de saúde mental:
ter um bom objeto internalizado.
-O desejo de dar um filho
para a mulher é sair da posição de rivalidade.
-Receptivo oral para ativo
genital.
Complexo de Édipo para a menina
-Receptivo oral para
receptivo genital (mantém o objetivo).
-A mãe frustra, então a
menina se afasta e se aproxima do pai.
-Tem inveja e ódio da mãe
por ela possuir tudo do pai (pênis). A mãe possui o leite e o nega por punição
(fantasia).
-Desiste de se identificar
com a mãe e passa a desejar o pai (homossexualidade surge nesse período).
-A identificação com o pai é
menos carregada de ansiedade.
-O desejo insaciável de ser
mãe causa frustração (pênis é visível, a gravidez vai demorar anos).
-A ansiedade é, no início,
persecutória e depois depressiva. O autismo pode ser uma defesa de um grau extremo
de ansiedade.
-Brincar: deslocar o perigo
interno para o externo. Elaboração de conflitos.
-A ansiedade também estimula
o desenvolvimento.
-Posições depressiva e
esquizoparanóide: modos de funcionamento psíquico. Não são fases. O
desenvolvimento não é linear.
-Primeira infância:
ansiedade característica da psicose. O bebê tem pouco contato com a realidade e
os objetos são cindidos, então o funcionamento é psicótico sem ser patológico.
-Melanie Klein tem um olhar
genético sobre o desenvolvimento: como se inicia (gênese do processo).
-O ego se integra na posição
depressiva (antes é cindido).
-A ansiedade força o ego a
despertar mecanismos de defesa.
-Vida em fantasia: cisão. Se
o objeto está em pedaços, o ego e o self também estão (visão parcial).
-Idealização também é um
mecanismo arcaico neste momento esquizoparanóide (para fortalecer o bom).
-Enfraquecimento do ego:
excesso de cisão (o individuo vê as causas externamente, projeta). O equilíbrio
depende do nível de ansiedade. Colorimos o objeto externo com as nossas
fantasias (distorcemos a realidade / quanto mais cindido, mais é fruto de
projeção).
-Ideia de saúde mental:
manter o bom objeto bem estabelecido, fortalecendo, assim, o ego.
-Desenvolvimento saudável
depende do equilíbrio de projeções e introjeções, que dependem do nível de
ansiedade.
-Objetivo da Psicanálise:
libertar dos mecanismos muito primitivos/infantis.
-O amadurecimento do
organismo propicia a passagem para a posição depressiva.
-Ansiedade depressiva: medo
de perder por ter feito mal. Danificou o objeto mau (que é o mesmo que o bom),
mas pode reparar. Pode conferir a integridade do objeto bom.
-Existe uma materialidade
foco da projeção depressiva.
-Objeto bom bem
estabelecido: capacidade de amar, cuidar, olhar para o outro.
-A ansiedade paranoide afeta
a realidade.
-Projeções e introjeções
podem ser pensadas como mecanismos de defesa (projetar muito mal ou introjetar
muito bom).
-Uma das funções da terapia
é tornar o superego mais protetor e menos rígido/sádico.
-A ansiedade persecutória é
preocupada com a preservação do ego.
-A ansiedade depressiva é
preocupada com a preservação do bom objeto (interno e externo).
-O indivíduo depressivo não
confia na capacidade do bom objeto.
-Desejo de perfeição: efeito
da idealização. Diminui a ansiedade do que foi destruído.
-O suicídio pode ser uma
vontade de matar o objeto mau.
-Perigos oriundos do ID:
ciúme e ódio acumulam, ataca em fantasia os pais, gerando mais ansiedade.
-Estímulos internos e
externos influenciam.
-A posição depressiva é
reforçada com o desmame (objeto inteiro e perda dele).
-O afeto da mãe (sentir-se
amado) fortalece a confiança externa, diminuindo o medo da destruição interna.
A posição depressiva é central no desenvolvimento da criança.
-Ciúmes: considera a relação
triádica (adição de um 3º).
-Inveja: relação com algo
mais regredido (sem um 3º). Relação dual.
-Se o objeto é bom e a
pessoa não o tem dentro de si, ignora-o.
-Uma realidade externa
favorável facilita o desenvolvimento.
-Voracidade:
necessidade que não satisfaz (quer esvaziar o seio da mãe). Não tem o bom
objeto internalizado. É inseguro quanto a sua capacidade de amar. A
segurança/estabilidade de que existe o bom objeto está sendo construída.
-Inveja: desejo de
posse e estragar o que as outras pessoas possuem. Quando tiver, já não serve,
pois foi estragado.
-Vemos o que queremos,
podemos e conseguimos na realidade.
-O superego se inicia no 5º,
6º mês. Não distingue impulsos do real (é rígido).
-Indulgência excessiva e
rigidez excessiva dos pais não são saudáveis.
-Devemos ter a capacidade de
olhar para o outro e ver o bom. Se não consegue a empatia, a ansiedade
persecutória é grande.
-Após destruir
fantasiosamente, tem que construir (trabalho).
-O efeito de um bom caráter
na relação com o outro está na raiz de um bom desenvolvimento.
-A inveja se inicia na
relação do bebê com a mãe. Relação mais primitiva (bebê e mãe).
-Ciúmes: relação com
o bom objeto e o 3º que pode tomar esse objeto. É mais elaborado, pois tem o
3º.
-Transferência para Freud:
mecanismo inconsciente. Atribuição de figura boa ou má em uma relação.
-Transferência para
Melanie Klein: novas edições de impulsos e fantasias despertados e tornados
conscientes durante a análise. A emoção é consciente, o mecanismo que rege é
inconsciente. Nem sempre se tornará consciente, pode ser formação reativa (bom
encobrindo o mau).
-Temos elementos
construtivos e destrutivos e devemos elaborar durante a vida.
-A relação entre objetos
internos e externos é interativa/se interferem. A relação terapêutica é
importante (se o interno é mau e o externo é bom, pode introjetar).
-Relação de objeto envolve
emoções, fantasias e ansiedades do bebê (projeta e introjeta).
-Relação de objeto:
centro da vida psíquica.
-Compreensão da primeira
relação de objeto influenciou na técnica. O psicólogo pode representar tudo (é
uma tela em branco) – irmão, pai, superego.
-Projeções e idealizações
modificaram a imagem interna dos pais para a criança.
-Não há como estabelecer o
que é real e o que é fantasia projetada. Temos que ser neutros para alcançar o
mundo interno do paciente.
-Analista pode ser ambos os
país ao mesmo tempo, temos que tomar cuidado para não agir da mesma forma
(atuar) e prejudicar o processo terapêutico (confiança). Temos que ficar
abertos para a projeção e não atuar, para não alimentar o modo de agir do
paciente.
-A transferência positiva
mantém a terapia (esperança de que pode ser ajudado), mas a transferência
negativa é importante por ser o que precisa ser elaborado.
-A relação transferencial
representa, mas não é. Neurótico entende a representação, psicótico acredita
que “é”.
-Se integro amor e ódio, não
preciso ficar provando que é bom. Processo de amadurecimento: ansiedade
persecutória diminuir, reparar de maneira saudável o que fantasiosamente
destruí, sem precisar da compulsão.
-Transferência traz a ideia
de movimento (mundo interno e realidade).
-Situações totais:
situações do passado para o presente. Tudo tem relação transferencial
(situações do cotidiano).
-Contratransferência:
o que o paciente mobilizou no analista. Analista deve saber lidar com isso de
modo a realizar uma intervenção e não uma atuação.
-Se trabalhamos apenas com o
verbalizado, não focamos nas relações objetais internas. Cuidado com a interpretação
verbal com o verbal, pode gerar um sentimento de incompreensão.
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Trabalho de PPP
II – Métodos
-Sujeitos: quem? Quantos? Onde? Por que? Função; faixa etária; gênero; escolaridade; sócio econômico.
-Instrumentos (coleta de dados e análise de dados): indicar/justificar o instrumento (que tipo de entrevista? Por que entrevista? Segundo quem? Por que observação? Análise de dados por análise de conteúdo); descrever os procedimentos. O roteiro da entrevista deve estar pronto.
-Ressalvas éticas: quais os cuidados éticos?
-Aparatos: materiais utilizados na entrevista e na análise (não entra o roteiro de entrevista, este será citado nos instrumentos da coleta de dados) – gravador, software, caderno de campo etc.
-Cronograma: resultados, discussão e conclusão.
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