Mostrando postagens com marcador Psicologia Cognitiva. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

0

RESUMÃO: Psicologia Cognitiva

Postado em
Psicologia Cognitiva – NP2
Terapia cognitiva construtivista
-O nosso processo de construção de significado é realizado numa interface entre cognição, emoção e experiência, a partir da participação ativa do indivíduo.
-Isso forma um conjunto de crenças que sustenta o processo de julgamento, tomada de decisões e ações do ser humano. As ações, os julgamentos e as decisões passam pelas crenças, geradas a partir do que sentiu, pensou e experienciou.
-Um dos três pilares tem uma força maior: emoção. É uma teoria emocional.
-As concepções construtivistas pressupõem que o ofício da significação se encontra subordinado à influência de emoções, e não dialética razão.
 -Ou seja, é através dos elementos proprioceptivos (sensações) e das estruturas vivenciais (que interpretam os estímulos da experiência) que ocorrerá o processo de atribuição de significados.
-Em uma experiência nova, o significado é mais baseado no que sente (biológico, visceral, emocional, sentimental). Sente antes e pensa depois (milésimo de segundos).
-O funcionamento cognitivo se caracterizará pelo mundo exterior e sua transposição, atribuindo significados que, muitas vezes, não são originários do estímulo em si. O significado transpõe a realidade, o significado do mundo não é só o significado do objeto, mas sim a transposição dele.
-Assim, a realidade interna da pessoa é vista como derivada do modo como o indivíduo sente emocionalmente o mundo, e não só a maneira racional.
-O conhecimento é o fruto de uma organização pessoal, arquitetada e organizada por cada pessoa.
-Existem dois tipos globais e complexos de atribuição de sentidos. Retratando a maneira como nosso organismo organiza-se em suas trocas com o mundo.
1- Processamento conceitual: percebido através da nossa razão e raciocínio lógico.
2- Processamento vivencial: significados gerados advém de uma percepção e leitura dos conteúdos corpóreos, estando em uma condição quase total de pré-conceitualidade e inconsciência.
-Trocamos informações com o mundo através desses dois processamentos.

-Teorias construtivistas em psicoterapia divididas em duas variantes, diferentes conceitos do significado realidade:
1. Construtivismo radical: posição idealista, como filosofia, afirmando não há realidade além da experiência pessoal. Exemplo: “não sou o que penso de mim, mas o que experienciam de mim”.
-Sente, e essa é a realidade, não existe uma externa.
-Conhecimento refletido pela expectativa tal qual construímos.
-Maturana e Varela utilizam conceito autopoiese (sistema de auto organiza constantemente).
-Só admite experiências pessoais, não a realidade externa em si.

2. Construtivismo crítico: não nega a existência de mundo real, mesmo que não possamos conhecer diretamente. Não lê a realidade pura, porque não se desvencilha da sua percepção, não entra em contato direto, passa pelas emoções e significados da pessoa. Passa por viés emocional que é próprio da pessoa. Realidade sentida de maneira pessoal.
-O indivíduo é co-criador da sua realidade pessoal. Realidade externa existe objetivamente, porém o conhecimento desta jamais será objetivo, e sim as próprias percepções e experiências.
-Destaque: Vittorio Guidano e Óscar Gonçalves.

-É indicada quando o objetivo é compreender a “construção de significados” que o indivíduo realizou ao longo da vida e provavelmente causando sofrimento.
-Foco sobre esquemas emocionais orientam tal “construção” e as narrativas que o paciente faz sobre sua história de vida e experiências atuais.
-“A prioridade é o indivíduo e sua história, não a observação externa, o diagnóstico ou a aplicação da técnica na realização de uma psicoterapia científica” (ABREU, C. 2003).
-Diagnóstico, generalização de dados e técnicas, importantes, mas não o foco.
-Psicoterapia construtivista é recente no Brasil.

-Visão piagetiana: desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório-motor até o operatório abstrato. Propondo através que provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo descoberta e construções de conhecimento.

-Para construir conhecimento, concepções combinam-se informações de meio, conhecimento não descoberto espontaneamente, nem transmitido de forma mecânica, meio externo ou adultos.
-Conhecimento resultado de interação, sujeito sempre elemento ativo, procurando ativamente compreender o mundo, buscando resolver as interrogações que o mundo provoca.
-É aquele que aprende basicamente através das próprias ações sobre objetos do mundo, constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo em que organiza seu mundo.
-Não é o sujeito que espera alguém que possui conhecimento, transmita em ato de bondade.

Terapia cognitiva construtivista
-Para construir conhecimento concepções combinam-se informações meio, conhecimento não descoberto espontaneamente, nem transmitido de forma mecânica meio exterior ou adultos.
-Conhecimento resultado de interação. Sujeito procurando ativamente as concepções do mundo.
-Não é um sujeito que espera alguém que possui conhecimento que transmita em um ato de bondade.
-Nasce contra visão mecanicista e ordenada, cognoscível, cujas formas/funções podem ser refletidas sobre mente humana e seus produtos.
-Em psicoterapia, interessados em eximir julgamentos de realidade pessoal do cliente por critérios externos de racionalidade/objetividade.
-O referencial não é externo, é construído junto, contínuo e ativo por parte do sujeito e mundo.
-Rejeita o DSM-IV pela aplicação excessiva de níveis rejeitam/subordinam maneiras alternativas de compreender o cliente. O foco é nos esquemas estruturais emocionais (como emocionalmente construiu).
-Colocando-se no mesmo nível, como modelos de funcionamento psicológico alternativos e viáveis.

Terapia cognitiva narrativa
-GONÇALVES, O. PSICOTERAPIA COGNITIVA NARRATIVA: MANUAL DE TERAPIA BREVE. CAMPINAS: EDITORIAL PSY, 1998.
-Ao procurar apresentar-se alternativa modelos racionalistas/mecanicistas dominantes na Psicologia, a psicologia narrativa obriga redefinição de grande parte dos seus pressupostos epistemológicos.
-Essa epistemologia se sustenta em 4 pilares:
1. Existência como conhecimento: indissociação entre conhecimento e experiência.
-Revolução cognitiva em 1950: estruturas, processos e conteúdos envolvidos na construção do conhecimento.
-Temática de processos por intermédio por quais seres vivos constroem e transformam conhecimento, assimilação passiva e pró-ação ativa.
-Tem qualquer ser vivo, a existência não pode ser dissociada do conhecimento (por existir, já conhece – não é algo que vem de fora).
-Todos os seres vivos conhecem, reconhecem, transformam e transformam-se no decurso da sua existência.
-Trata-se da passagem da visão estritamente epistemológica (cognitivismo) para a visão existencial.
-Procura organização hierárquica de elementos fundamentais (esquemas cognitivos, pressupostos filosóficos, estruturas cognitivas, mecanismos tácitos, constructos pessoais da psicologia) e dá lugar a apreciação da matriz relacional da experiência como elemento indissociável do conhecimento.
-Nega o cognitivismo.

2. Conhecimento como hermenêutica
-Ideia que todo conhecimento (e por implicação, toda existência) tem natureza inerentemente hermenêutica. A hermenêutica é a arte ou o método interpretativo que procura compreender um determinado texto.
-O processo de substituição de modelos retroativos sensorialistas por modelos ativos motores acentuou a ideia de que o sujeito constrói a realidade por processo de codificação ativa. Interpreta e tira significado daquilo, num processo ativo.
-A construção simbólica da realidade corresponde ao processo de significação que opera através da imposição de processos hermenêuticos.
-O fenômeno psicológico situa-se no nível de construção ativa de significado e do processo por intermédio do qual esse significado constitui a realidade psicológica dos indivíduos.
-Compreender o comportamento humano é essencialmente compreender os sistemas interpretativos utilizados pelos sujeitos no sentido de expandir, dar significado a experiência.
-Mas aqui a proposta hermenêutica surge com significado diferente da procura / encontro de significados. Não vem só com significado de procurar significado, vem como resposta conjunta de buscar significado.
-Hermenêutica nasce com a interpretação de textos sagrados, mais tarde, textos legais.
-Só recentemente, no final do século passado, se liga a interpretação do discurso individual (psicanálise).
-Cada um destes casos, a hermenêutica procura interpretar ou levar o indivíduo a interpretar com base em pressupostos existencialistas construídos aprioristicamente.
-A multiplicidade de existência nas suas diversas vertentes remete a miríade de significados, desdobramentos complexos / múltiplo de conhecimento.
-Segundo Shotter (1995), vivemos num mundo vago, parcialmente especificado, instável e em desenvolvimento.
-Esta dimensão de inespecificidade dá espaço para dimensão criativa e hermenêutica do conhecimento humano.
-Por mais paradoxal que pareça, a realidade especifica-se e adquire dimensões maiores de estabilidade, não por referência ao mundo externo, mas pela subjetividade hermenêutica individual.
-Impõe coerência interpretativa do caos multi-potencial do mundo. Sentido subjetivo cria estabilidade.
-A ordem/regularidade corresponde sobretudo a necessidade psicológica de dar ordem, sentido de coerência existencial.
-Onde não compreendemos, nos angustiamos.
-A definição do mundo único estável através da sacralização de uma pretensa hiper-realidade, é negação profunda de multirrealidade.

4. Fundamentos para psicologia narrativa
-O discurso feito no contato interpessoal está situado em uma cultura. O significado só pode ser entendido porque tem um significado mais amplo (contexto). O lugar que está que determina o significado.
-Então narrativas são formas de significação que operam num contexto, no espaço de interindividualidade.
-As narrativas que dão sentido a existência, tornando comum a cultura, o diálogo.

Fundamentos de uma psicoterapia narrativa
-No contato com o terapeuta, cria uma comunidade conversacional (troca de diálogos) para ampliar significados, através de múltiplas vivências, onde os discursos se encontram. Não é corrigir ou adaptar, é ampliar/maximizar significados através do discurso.
-Todas as angústias e vivências são colocadas no discurso, onde serão ampliados os significados e criadas novas possibilidades de pensar amplamente.
-A Terapia Cognitiva Narrativa tem o objetivo de levar o cliente a construir na interação com o terapeuta, uma comunidade conversacional, realidade múltipla de experiências sensoriais, emocionais, cognitivas e de significação.
-A ideia é capacitar o cliente a construir um discurso narrativo rico em termos de multiplicidade, complexidade, coerência, adaptativo a exigências impostas pela sociedade complexa e multi.
-Últimos anos psicoterapias cognitivas testemunhado considerável evolução.
-Desenvolvimentos mais recentes, destaque ao papel atribuído narrativa como elemento central construção conhecimento e implicações clínicas.
-Perturbação psicológica provocada pela incapacidade de dar conta da diversidade/potencialidade da experiência através da organização de um discurso narrativo diversificado, complexo e coerente. Se o mundo é muito complexo, se não damos conta da diversidade e potencialidade de experiências que o mundo oferece, se não conseguimos criar um discurso lógico para a experiência, teremos uma perturbação psicológica.
-Cliente assume a existência de uma realidade externa/interna absolutas, insubstituíveis. Aí está o erro, pois não consegue perceber mudanças.
-“Assume” que não tem saída. Os significados são sempre múltiplos, o limite do conhecimento se dá a existência. Existir é conhecer. Não pode ser encaixado no DSM-IV, pois não pode ser limitado a isso.
-O terapeuta é um facilitador, guia de novos contextos e narrativas.
-A perturbação vem da dificuldade de organização de uma experiência numa narrativa coerente.
-Ao invés de ver a realidade como processo de negociação interpessoal de possibilidades múltiplas, assume a responsabilidade de único construtor desta realidade.
-Resultando em desânimo e singularidade:
-Desânimo por incapacidade de poder prever múltiplas possibilidades de negociação para experiência sensorial, emocional, cognitiva e significações. Não perceber que existem outras formas, além da parte limitada.
-Singularidade pela estranheza em ver-se diferente dos outros nessa construção de experiência.
-A psicoterapia narrativa procura responder estes problemas através da facilitação da construção narrativa. O terapeuta não é um corretor, é um facilitador para a estimulação da criação de novas narrativas por parte do cliente.
-Proporciona uma elaboração narrativa múltipla de conteúdo, processualmente mais complexa e estruturalmente mais coerente, num contexto de elaboração discursiva e conversacional com terapeuta/comunidade linguística do cliente. Novas possibilidades de experiências, vivências, narrativas serão criadas de forma que faça sentido para ele. Terapeuta cria espaço para isso, mas não conduz.

A recordação
-Não há narrativa sem recordação. Não há como narrar sem se lembrar.
-Memória semântica (significado das coisas), memória episódica (momentos/episódios da vida).
-Capacidade de singularizar episódios significativos da vida que faz cada indivíduo autor própria narrativa.
-Ter uma existência narrativa é ser capaz de recordar, sincrônica/diacronicamente (saber que o outro também influenciou), múltiplos episódios da vida.
-Recordar é sinônimo de construção de sentido de coerência através da diversidade de experiência.
-Em suma, através da recordação, procura capacitar o cliente a abertura à experiência e para o desenvolvimento inicial com maior sentido de coerência na elaboração narrativa.

A objetivação
-Cliente é levado a experienciar a multiplicidade de realidades externas através de toda dinâmica disponibilizada por capacidades sensoriais. Através da capacidade de sentir, vai ser levado na terapia a várias formas de sentir o que acontece lá fora. Criar novas realidades possíveis. Recordar situações e levar o cliente a sentir de outras formas, objetivar a situação.
-Realidade constitui um incomensurável menu que o cliente em perturbação raramente desfruta.
-Terapeuta encoraja o cliente para a objetivação de cada recordação episódica diária, para perceber a complexidade das experiências. Desde do momento que acordou, cada detalhe, todas as sensações (físicas e psicológicas).
-Cliente vai progressivamente se dando conta de que a realidade é um contexto possibilitador de uma grande diversidade de experiências.
-Dimensão da complexidade sensorial da experiência, permitindo a emergência de uma consciência progressiva de narrativas diárias, podendo ser vista como ricos menus diversificados para a elaboração narrativa.

A metaforização
-Condensadores de significado.
-Através dela damos sentido recordações sensoriais, emocionais e cognitivamente.
-Capacitar cliente produzir múltiplos significados p/ cada memória episódica.

A subjetivação
-Trabalho de construção múltipla prossegue.
-Aqui é variedade de experiências emocionais/cognitivas que se procura.
-Mostrar possibilidade de diversidade de experiências emocionais do passado, presente e da procura ativa no futuro.
-Através exercícios ativação emocional, realizados sessão e exercícios diários, procura-se alargar leque experiências emocional, p/ ser capaz elaborar em cada situação matizes diferenciados de ressonância emocional.

A projeção
-Remete ideia indivíduo constante movimento espaço/tempo.
-Capacidade de internacionalizar de modo narrativo as experiências do futuro.
-Cliente constrói e descontrói-se todo momento, intencionalizando experiências que geram novas possibilidades de intencionalização da experiência.
-Orientar cliente construir uma metáfora alternativa à metáfora raiz que tem orientado seus sistemas conversacionais e de significação.
-Depois cliente parte para nova revisão da história vida e de modo a encontrar/fundamentar, no passado histórico, episódios caracterizadores desta nova forma de significação.
0

Resumo da aula de PC (10.11)

Postado em
4º pilar (fundamentos para psicologia narrativa)
-O discurso feito no contato interpessoal está situado em uma cultura. O significado só pode ser entendido porque tem um significado mais amplo (contexto). O lugar que está que determina o significado.
-Então narrativas são formas de significação que operam num contexto, no espaço de interindividualidade.
-As narrativas que dão sentido a existência, tornando comum a cultura, o diálogo.

Fundamentos de uma psicoterapia narrativa
-No contato com o terapeuta, cria uma comunidade conversacional (troca de diálogos) para ampliar significados, através de múltiplas vivências, onde os discursos se encontram. Não é corrigir ou adaptar, é ampliar/maximizar significados através do discurso.
-Todas as angústias e vivências são colocadas no discurso, onde serão ampliados os significados e criadas novas possibilidades de pensar amplamente.
-A Terapia Cognitiva Narrativa tem o objetivo de levar o cliente a construir na interação com o terapeuta, uma comunidade conversacional, realidade múltipla de experiências sensoriais, emocionais, cognitivas e de significação.
-A ideia é capacitar o cliente a construir um discurso narrativo rico em termos de multiplicidade, complexidade, coerência, adaptativo a exigências impostas pela sociedade complexa e multi.
-Últimos anos psicoterapias cognitivas testemunhado considerável evolução.
-Desenvolvimentos mais recentes, destaque ao papel atribuído narrativa como elemento central construção conhecimento e implicações clínicas.
-Perturbação psicológica provocada pela incapacidade de dar conta da diversidade/potencialidade da experiência através da organização de um discurso narrativo diversificado, complexo e coerente. Se o mundo é muito complexo, se não damos conta da diversidade e potencialidade de experiências que o mundo oferece, se não conseguimos criar um discurso lógico para a experiência, teremos uma perturbação psicológica.
-Cliente assume a existência de uma realidade externa/interna absolutas, insubstituíveis. Aí está o erro, pois não consegue perceber mudanças.
-“Assume” que não tem saída. Os significados são sempre múltiplos, o limite do conhecimento se dá a existência. Existir é conhecer. Não pode ser encaixado no DSM-IV, pois não pode ser limitado a isso.
-O terapeuta é um facilitador, guia de novos contextos e narrativas.
-A perturbação vem da dificuldade de organização de uma experiência numa narrativa coerente.
-Ao invés de ver a realidade como processo de negociação interpessoal de possibilidades múltiplas, assume a responsabilidade de único construtor desta realidade.
-Resultando em desânimo e singularidade:
-Desânimo por incapacidade de poder prever múltiplas possibilidades de negociação para experiência sensorial, emocional, cognitiva e significações. Não perceber que existem outras formas, além da parte limitada.
-Singularidade pela estranheza em ver-se diferente dos outros nessa construção de experiência.
-A psicoterapia narrativa procura responder estes problemas através da facilitação da construção narrativa. O terapeuta não é um corretor, é um facilitador para a estimulação da criação de novas narrativas por parte do cliente.
-Proporciona uma elaboração narrativa múltipla de conteúdo, processualmente mais complexa e estruturalmente mais coerente, num contexto de elaboração discursiva e conversacional com terapeuta/comunidade linguística do cliente. Novas possibilidades de experiências, vivências, narrativas serão criadas de forma que faça sentido para ele. Terapeuta cria espaço para isso, mas não conduz.

A recordação
-Não há narrativa sem recordação. Não há como narrar sem se lembrar.
-Memória semântica (significado das coisas), memória episódica (momentos/episódios da vida).
-Capacidade de singularizar episódios significativos da vida que faz cada indivíduo autor própria narrativa.
-Ter uma existência narrativa é ser capaz de recordar, sincrônica/diacronicamente (saber que o outro também influenciou), múltiplos episódios da vida.
-Recordar é sinônimo de construção de sentido de coerência através da diversidade de experiência.
-Em suma, através da recordação, procura capacitar o cliente a abertura à experiência e para o desenvolvimento inicial com maior sentido de coerência na elaboração narrativa.

A objetivação
-Cliente é levado a experienciar a multiplicidade de realidades externas através de toda dinâmica disponibilizada por capacidades sensoriais. Através da capacidade de sentir, vai ser levado na terapia a várias formas de sentir o que acontece lá fora. Criar novas realidades possíveis. Recordar situações e levar o cliente a sentir de outras formas, objetivar a situação.
-Realidade constitui um incomensurável menu que o cliente em perturbação raramente desfruta.
-Terapeuta encoraja o cliente para a objetivação de cada recordação episódica diária, para perceber a complexidade das experiências. Desde do momento que acordou, cada detalhe, todas as sensações (físicas e psicológicas).
-Cliente vai progressivamente se dando conta de que a realidade é um contexto possibilitador de uma grande diversidade de experiências.
-Dimensão da complexidade sensorial da experiência, permitindo a emergência de uma consciência progressiva de narrativas diárias, podendo ser vista como ricos menus diversificados para a elaboração narrativa.

A metaforização
-Condensadores de significado.
-Através dela damos sentido recordações sensoriais, emocionais e cognitivamente.
-Capacitar cliente produzir múltiplos significados p/ cada memória episódica.

A subjetivação
-Trabalho de construção múltipla prossegue.
-Aqui é variedade de experiências emocionais/cognitivas que se procura.
-Mostrar possibilidade de diversidade de experiências emocionais do passado, presente e da procura ativa no futuro.
-Através exercícios ativação emocional, realizados sessão e exercícios diários, procura-se alargar leque experiências emocional, p/ ser capaz elaborar em cada situação matizes diferenciados de ressonância emocional.

A projeção
-Remete ideia indivíduo constante movimento espaço/tempo.
-Capacidade de internacionalizar de modo narrativo as experiências do futuro.
-Cliente constrói e descontrói-se todo momento, intencionalizando experiências que geram novas possibilidades de intencionalização da experiência.
-Orientar cliente construir uma metáfora alternativa à metáfora raiz que tem orientado seus sistemas conversacionais e de significação.

-Depois cliente parte para nova revisão da história vida e de modo a encontrar/fundamentar, no passado histórico, episódios caracterizadores desta nova forma de significação.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

0

Resumo da aula de PC (03/11)

Postado em
3. Hermenêutica como discurso narrativo
-Discutimos até aqui como conhecimento é indissociável da existência e como ambos vão se organizando no indivíduo num processo hermenêutico de construção de significados.

-Duas hipóteses surgem a este propósito:
A) para primeiros construtivistas (Piaget, 1985), esta hermenêutica estabelece-se através de uma lógica abstrata universal (lógica que não é objetiva e pré-existente, universal às pessoas), originando sistema formalizado de pensamento com invariantes fundamentais essenciais (lógicas universais). Como se fossem blocos já estabelecidos, que cada pessoa possui, inatos no sentido de lógica universal (e não biológico). Todas as pessoas nascem com uma lógica abstrata universal (essencialismo), todos são dotados de uma lógica abstrata (não baseada no externo, é abstrata, baseada no interno) que varia de pessoa para pessoa. O significado criado se liga a um discurso narrativo, assim eles são descobertos.
            -Domínio da primazia ontológica (estuda ser/existência) abstrato e no campo epistemológico da lógica proposicional (os elementos que temos são juntados de formas diferentes).
            -A lógica assume um papel organizador fundamental: formalização matemática do pensamento que se revelasse legitimadora das suas tentativas de aproximação de ciências hard.
            -Surge assim um tema dominante para a primeira revolução cognitiva: metáfora computacional. Comparação de cérebro com o computador, onde as informações chegam, se reestruturam e volta.
-Mas essa hermenêutica parece falhar quando aplicada a forma como seres humanos vão construindo significações para sua própria vida.
-Por vezes o sujeito se comporta de modo contrário àquilo que a lógica ditaria.
-Não abrange a ideia de que o indivíduo poderia operar de modo irracional (é onde a teoria se racha).

B) outra hipótese é que uma multiplicidade de significados só é possível graças ao poder criativo e múltiplo da linguagem/discurso humano. São formas diferentes de explorar a mesma experiencia. Descaracteriza toda a biologia. A hermenêutica interpreta e o discurso é infinito na forma de narrar.
-A linguagem é complexa e como construtora de significado.
            -De modo progressivo, a linguagem e o discurso constituem meios e fins do processo de significação / conhecimento humano por si e não são reveladores da realidade essencial preexistente.
            -O significado se dá na linguagem, no discurso, como experienciamos aquilo. Como contar uma experiência se não tem um discurso dela na cabeça?
            -Linguagem surge como fenômeno psicológico de primeira ordem. A linguagem constitui processos terapêuticos. A mente funciona como o discurso opera sobre ela.
            -Elemento verdadeiramente fundacional da experiência e não como papel “extra adicional”. A linguagem forma os significados, não apenas contribui.
            -Narrativas não podem ser estas como originando-se, fechando-se, proposta individual, em sistema de exclusividade auto poético.
            -Não nasce em si só, precisa do processo interpessoal de construção discursiva, logo, inseparáveis do contexto cultural onde ocorrem.
            -Na construção com o outro, a linguagem se firma.

            -Significados só fazem sentido em determinado espaço/tempo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

0

Resumo da aula de PC (27/10)

Postado em
Terapia cognitiva construtivista
-Para construir conhecimento concepções combinam-se informações meio, conhecimento não descoberto espontaneamente, nem transmitido de forma mecânica meio exterior ou adultos.
-Conhecimento resultado de interação. Sujeito procurando ativamente as concepções do mundo.
-Não é um sujeito que espera alguém que possui conhecimento que transmita em um ato de bondade.
-Nasce contra visão mecanicista e ordenada, cognoscível, cujas formas/funções podem ser refletidas sobre mente humana e seus produtos.
-Em psicoterapia, interessados em eximir julgamentos de realidade pessoal do cliente por critérios externos de racionalidade/objetividade.
-O referencial não é externo, é construído junto, contínuo e ativo por parte do sujeito e mundo.
-Rejeita o DSM-IV pela aplicação excessiva de níveis rejeitam/subordinam maneiras alternativas de compreender o cliente. O foco é nos esquemas estruturais emocionais (como emocionalmente construiu).
-Colocando-se no mesmo nível, como modelos de funcionamento psicológico alternativos e viáveis.

Terapia cognitiva narrativa
-GONÇALVES, O. PSICOTERAPIA COGNITIVA NARRATIVA: MANUAL DE TERAPIA BREVE. CAMPINAS: EDITORIAL PSY, 1998.
-Ao procurar apresentar-se alternativa modelos racionalistas/mecanicistas dominantes na Psicologia, a psicologia narrativa obriga redefinição de grande parte dos seus pressupostos epistemológicos.
-Essa epistemologia se sustenta em 4 pilares:
1. Existência como conhecimento: indissociação entre conhecimento e experiência.
-Revolução cognitiva em 1950: estruturas, processos e conteúdos envolvidos na construção do conhecimento.
-Temática de processos por intermédio por quais seres vivos constroem e transformam conhecimento, assimilação passiva e pró-ação ativa.
-Tem qualquer ser vivo, a existência não pode ser dissociada do conhecimento (por existir, já conhece – não é algo que vem de fora).
-Todos os seres vivos conhecem, reconhecem, transformam e transformam-se no decurso da sua existência.
-Trata-se da passagem da visão estritamente epistemológica (cognitivismo) para a visão existencial.
-Procura organização hierárquica de elementos fundamentais (esquemas cognitivos, pressupostos filosóficos, estruturas cognitivas, mecanismos tácitos, constructos pessoais da psicologia) e dá lugar a apreciação da matriz relacional da experiência como elemento indissociável do conhecimento.
-Nega o cognitivismo.

2. Conhecimento como hermenêutica
-Ideia que todo conhecimento (e por implicação, toda existência) tem natureza inerentemente hermenêutica. A hermenêutica é a arte ou o método interpretativo que procura compreender um determinado texto.
-O processo de substituição de modelos retroativos sensorialistas por modelos ativos motores acentuou a ideia de que o sujeito constrói a realidade por processo de codificação ativa. Interpreta e tira significado daquilo, num processo ativo.
-A construção simbólica da realidade corresponde ao processo de significação que opera através da imposição de processos hermenêuticos.
-O fenômeno psicológico situa-se no nível de construção ativa de significado e do processo por intermédio do qual esse significado constitui a realidade psicológica dos indivíduos.
-Compreender o comportamento humano é essencialmente compreender os sistemas interpretativos utilizados pelos sujeitos no sentido de expandir, dar significado a experiência.
-Mas aqui a proposta hermenêutica surge com significado diferente da procura / encontro de significados. Não vem só com significado de procurar significado, vem como resposta conjunta de buscar significado.
-Hermenêutica nasce com a interpretação de textos sagrados, mais tarde, textos legais.
-Só recentemente, no final do século passado, se liga a interpretação do discurso individual (psicanálise).
-Cada um destes casos, a hermenêutica procura interpretar ou levar o indivíduo a interpretar com base em pressupostos existencialistas construídos aprioristicamente.
-A multiplicidade de existência nas suas diversas vertentes remete a miríade de significados, desdobramentos complexos / múltiplo de conhecimento.
-Segundo Shotter (1995), vivemos num mundo vago, parcialmente especificado, instável e em desenvolvimento.
-Esta dimensão de inespecificidade dá espaço para dimensão criativa e hermenêutica do conhecimento humano.
-Por mais paradoxal que pareça, a realidade especifica-se e adquire dimensões maiores de estabilidade, não por referência ao mundo externo, mas pela subjetividade hermenêutica individual.
-Impõe coerência interpretativa do caos multi-potencial do mundo. Sentido subjetivo cria estabilidade.
-A ordem/regularidade corresponde sobretudo a necessidade psicológica de dar ordem, sentido de coerência existencial.
-Onde não compreendemos, nos angustiamos.

-A definição do mundo único estável através da sacralização de uma pretensa hiper-realidade, é negação profunda de multirrealidade.