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sábado, 28 de maio de 2016

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RESUMÃO: Psicopatologia Geral

Postado em
Resumo de Psicopatologia Geral – NP2

-Estados sinistros: loucura, geminalidade.
-Muitas vezes, o que chamamos de loucura não é tão evidente assim.

Neurose e psicose (psicanálise, Freud)
-1893 até 1914: teoria do recalque (neuroses).
-1914: “introdução ao narcisismo” e “luto e melancolia” / primeiras teorizações acerca das diferenças entre neurose e psicose do ponto de vista libidinal.
-1923/25: teorizações sobre defesas específicas para neurose e psicose.

-Psicanálise surge fazendo uma crítica a medicina, que falava da loucura há 100 anos.
-Pinel e outras escolas trabalharam com descrição de sintomas. Doença precoce (esquizofrenias), monomanias (transtorno bipolar), psicastemia (transtorno obsessivo compulsivo), melancolia (depressão) já eram nomenclaturas presentes.
-A medicina buscava justificar porque a loucura era problema dela, buscando origens orgânicas. Pessoa em estado de desrazão, busca pela retomada da razão.
-Hoje sabemos que a patologia tem uma base orgânica, mas não genética.
-Tudo isso influenciou na criação de manicômios. A Alemanha não tem registros de manicômios.
-Os sintomas histéricos chamavam muita atenção. A pessoa não entrava em estado de desvalia, não havia correspondente orgânico que justificassem o sintoma.
-Freud começa a se interessar por essas questões e volta a observação para o sintoma histérico. Não tinham questões orgânicas, mas faziam parte da história da pessoa (registro de sedução, abuso).
-Breuer dizia que o sintoma era singular da pessoa.
-Freud vai para a comunidade científica falar sobre a hipótese de o sintoma estar ligado a alguma experiência traumática na infância.
-No início, a psicanálise não buscava distinguir neurose e psicose. O foco era eliminar a histeria.
-Ao mesmo tempo que descreve o sintoma histérico, a Psicanálise constrói/teoriza sobre como se dá o psiquismo no homem.
-O bebê freudiano não nasce com psiquismo, e sim com potencial a construir o psiquismo ao longo da existência.

-Recalque: repressão, abafar.
-Primeira teoria do mecanismo psíquico: todas as experiências passam por consciência e inconsciência. Nem tudo que é vivido, é suportado pela consciência. O que não era suportado, eram questões que afrontavam a moral sexual e religiosa da época. As histéricas tinham experiência de sedução na infância e a moral mostrava que aquilo era errado, o que fazia com que esse material fosse levado ao inconsciente. O inconsciente tinha a ver com tudo que um dia havia sido consciente. E tudo voltava a partir de determinadas circunstâncias (criança seduzida implicava uma quantidade grande de energia que não era ab-reagida, elaborada, então parte dessa energia virava sintoma). O recalque vai separar a representação do afeto.
-Quem introduz o recalque na vida da criança é o outro.
-Freud descobre que as histéricas mentem para ele por que nem sempre foram vítimas de sedução (não houve um fato concreto). Havia um desejo de realizar essa cena e esse desejo era varrido do campo da consciência e levado ao inconsciente, voltando através do sonho, sintoma etc.
-O sintoma é uma defesa do ego.

Neurose X psicose: diagnóstico estrutural (psicanálise)
-A psicopatologia descritiva não se ocupa de questões históricas e sim causa e sintoma observável.
-Pinel, em 1786, começou a descrever a loucura.
-1886: nova prática da Europa contestando o pensamento da psiquiatria.
-O problema da medicina foi tentar explicar a histeria buscando causas orgânicas.
-A porta de entrada da psicanálise foram os estudos sobre a história.
-A histeria passou a existir como entidade nosológica a partir de Pinel, mas sempre existiu.
-A psicanálise buscava desconstruir o paradigma de doença criado pela medicina.
-O psicótico raramente toma a iniciativa (rompeu laços sociais) de procurar tratamento.
-Neurótico sente angústia de existência, então consegue buscar tratamento.
-Provavelmente Freud começou a lidar com a histeria a partir do fluxo clínico e dos sintomas curiosos apresentados.
-Freud não começou com a psicose por conta da falta de procura destes. Quem chegava aos consultórios eram as histéricas.
-Primeira concepção de aparelho psíquico era pensado a partir de uma divisão entre vida psíquica consciente e inconsciente. O inconsciente corresponde ao que já foi consciente e quem faz essa varredura para o inconsciente é o recalque/repressão. Recalque é uma separação entre a representação (vai para o inconsciente) e o afeto (sintoma).
-O primeiro inconsciente Freudiano (1894): consciente e inconsciente separados pelo recalque. O inconsciente era formado pelo material recalcado.
-O sintoma histérico estava relacionado com alguma lembrança que não podia ser lembrada. A histérica sofre de reminiscências. As lembranças tinham a ver com traumas da infância de caráter sexual.
-Quando a censura era diminuída, através da hipnose, o sintoma tendia a desaparecer. Quando passava o efeito, a pessoa não lembrava do que foi falado, portanto não ajudava na solução do problema. Com isso, a hipnose é abandonada. Entretanto, a hipnose ajudou a perceber que há um aspecto do psiquismo que não podemos acessar conscientemente.
-O processo civilizatório recalca. O sujeito Freudiano é social. O psiquismo não existe sem o outro.
-Nesta época, Freud não falava nada da psicose. A preocupação era, através do sintoma histérico, traçar uma teoria da constituição psíquica.

-Primeira tópica: consciente e inconsciente.
-Primeira teoria do trauma: fato real não elaborado.
-Recalcamento:  primeira defesa, fundação do psiquismo e sintoma.

-Começa a perceber que havia algo relacionado ao tema que não necessariamente estava relacionado a um fato real, mas poderia este ligado a algum tipo de vivência ou desejo típico que crianças tenham. A teoria começa a mudar quando Freud perde a ilusão de inocência infantil. A criança está sempre em busca do prazer e não tem censura. Esse prazer está ligado às pessoas que cuidam da vida da criança (mãe e pai). Começa a formular a teoria da sexualidade infantil, onde pensa toda a nossa tendência a buscar o prazer e aliviar o desprazer que se inicia com nossos laços sociais com as pessoas responsáveis pelo nosso desenvolvimento psíquico.
-O que parecia um fato real, trauma, na verdade estava relacionado ao que toda criança, em algum momento da vida, deseja. O que traumatizada era a falha do recalque nessas situações.
-O ser humano nasce sem psiquismo. Tem uma energia potencial para ter psiquismo. Quando nascemos, o que funciona no corpo é a sensopercepção. Quando nasce, o bebê é um aglomerado de energia em busca da vida. A única manifestação instintual que temos é a situação de fome. A partir daí, nada que acontece no desenvolvimento humano é igual para todas as pessoas. A amamentação coloca em prática um processo pulsional. Recebe, além do leite, luz, calor, cheiro, contato, som etc. Fica registrado no sistema perceptivo dela, como sensação e não como imagem. Desprazer: busca do alívio de tensão. No segundo momento de fome, ela recupera a memória rudimentar de sensação de prazer e faz novos registros.
-Em 1906, Freud afirma que o bebê nasce em um estágio caótico. A criança passa por estágios de organização pulsional. Tem experiências de satisfação próximas da satisfação sexual. E cada etapa corresponde a uma organização especifica, separa em fases. Fase oral, primeiro sub-estágio anal, segundo sub-estágio anal, fase fálica, complexo de Édipo e fase genital.

-(1780), 1886 até 1914: “histerias”, teoria do recalque, vida de fantasia, desejo, sonhos, lapsos, etapas para o desenvolvimento da libido.
-A medicina entendia que a histeria tinha a ver com deterioração do sistema nervoso, orgânica, hereditária (teoria da degenerescência).
-Verificaram uma tipicidade nas histórias das histéricas: trauma na infância.
-Primeira concepção de aparelho psíquico: divisão consciente e inconsciente. Primeira concepção do inconsciente dizia respeito ao recalcado.
-Repressão/recalque: operação psíquica que separa consciente do inconsciente (lembranças insuportáveis de ficar na consciência). Freud não achava que nascíamos com inconsciente, ele era formado a partir do recalque.
-Para Freud, o sujeito não existe como sujeito se não houver recalque. Não somos pessoas se em algum momento não houver renúncia de pulsões.
-A única manifestação instintual humana é mamar (Freud, 1906 – 3 ensaios).
-A pulsão (energia) nasce apoiada no instinto.
-Traço mnêmico: registro rudimentar de prazer ou desprazer.
-Na segunda mamada, a criança recupera as lembranças da primeira e soma.
-Cada experiência que a criança tem, auxilia a criança a formar a noção de mundo e de si (ego).
-Diferença entre instinto e pulsão.
-Cada status do desenvolvimento pulsional corresponde a uma fase do desenvolvimento libidinal.
-O bebê nasce num caos pulsional, não tem referências. Auto-erotismo: toda a energia libidinal/pulsional estão concentradas/represadas no corpo. Na medida que entra um ser humano cuidador, isso possibilita as primeiras organizações pulsionais.

-Fase oral: bebê não tem noção do corpo, mas sabe que tem um buraco (boca) – primeira organização pulsional.
-Primeiro subestágio anal: prazer da criança ligado às fezes.
-Momento de recalcamento muito forte.
-Segundo subestágio anal: retirada da fralda.
-Fase fálica: criança descobre a diferença anatômica.
-Genialidade: puberdade, adolescência. Finaliza o desenvolvimento que parte de um estágio caótico e chega num organizado.
-Em circunstâncias normais, a criança vai passar por todos os estágios.

-Narcisismo/fase narcísica do desenvolvimento libidinal: a criança não tem psiquismo, tem corpo e energia (sensações). Dura até aproximadamente 2 anos. Em casos normais, esperamos que a pessoa passe a uma estrutura diferenciada de ego (estrutura de pensamento). Ainda não tem recalque (tem pequenos recalques), pois ainda não tem psiquismo formado.

Principais características do narcisismo:
1.    Ego rudimentar: pensamento mágico, satisfação imediata da pulsão, baixa tolerância a frustração.
2.    Angústia: a criança não tem noção de que o outro é outro. Angústia psicótica de aniquilamento do eu (o pavor da criança é de não conseguir sobreviver).
3.    Relação de objeto: simbiótica, indiferenciada, fusional (bebê não se diferencia do outro, bebê e mãe são a mesma coisa do ponto de vista dele).
4.    Conflito: entre o ego e a realidade. A grande dificuldade do narcisismo e da psicose são as frustrações vindas da realidade (a mãe está separada, o alimento não vem quando precisa).

-Fixação/regressão.
-1924: recusa da realidade.
-A fixação libidinal ocorre por um excesso de energia liberado num momento (excesso de prazer ou de dor).
-As fixações da libido predominantes do narcisismo vão dar início a estrutura psicótica da personalidade (o eixo, a base da personalidade será psicótica).
-As fixações que ocorrerem na fase edípica vão dar início a estrutura neurótica da personalidade.
-A pessoa com base psicótica pode ter uma vida normal, caso tudo ocorra bem. Caso ocorra uma crise, a base psicótica retorna e pode desenvolver sintomas psicóticos. Quanto mais cedo ocorrer uma fratura no desenvolvimento, mais grave será e mais chances terá de desenvolver um sintoma psicótico.
-Fixação: parte do ego se desenvolve e parte fica preso a uma fase (modelo narcísico básico). A libido segue, mas a base é narcísica. A partir de uma ruptura, a libido retorna/regride para a posição em que estava fixada.
-Defesas do narcisismo: cisão do ego, recusa da realidade e a criação de uma nova realidade (delírio, alucinação).
-O delírio e a alucinação são sintomas positivos, pois nem toda psicose tem delírio e alucinação. Significam que a pessoa está tentando voltar para a realidade, porém da maneira dela, narcísica (ego regredido, cria uma realidade particular que satisfaça o desejo dele).
-Quanto mais precoce a regressão, mais grave.
-No caso da psicose, não falamos em recalque. Falamos de cisão do ego, recusa da realidade é criação de nova realidade (delírio, alucinação).

Neurose
1.    Ego constituído.
2.    Angústia de castração: envolve o outro, medo de perder a atenção, a admiração, recusa do outro.
3.    Relação de objeto: dual.
4.    Conflito: entre o ego e o ID, superego e o ID (entre duas tendências opostas).
5.    Defesa: renúncia, recalcamento (abrimos mão de algo).

terça-feira, 24 de maio de 2016

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Resumo da aula de Psicopatologia Geral (24/05)

Postado em
Neurose X psicose
-(1780), 1886 até 1914: “histerias”, teoria do recalque, vida de fantasia, desejo, sonhos, lapsos, etapas para o desenvolvimento da libido.
-A medicina entendia que a histeria tinha a ver com deteriorização do sistema nervoso, orgânica, hereditária (teoria da degenerescência).
-Verificaram uma tipicidade nas histórias das histéricas: trauma na infância.
-Primeira concepção de aparelho psíquico: divisão consciente e inconsciente. Primeira concepção do inconsciente dizia respeito ao recalcado.
-Repressão/recalque: operação psíquica que separa consciente do inconsciente (lembranças insuportáveis de ficar na consciência). Freud não achava que nasciamos com inconsciente, ele era formado a partir do recalque.
-Para Freud, o sujeito não existe como sujeito se não houver recalque. Não somos pessoas se em algum momento não houver renúncia de pulsões.
-A única manifestação instintual humana é mamar (Freud, 1906 – 3 ensaios).
-A pulsão (energia) nasce apoiada no instinto.
-Traço mnêmico: registro rudimentar de prazer ou desprazer.
-Na segunda mamada, a criança recupera as lembranças da primeira e soma.
-Cada experiência que a criança tem, auxilia a criança a formar a noção de mundo e de si (ego).
-Diferença entre instinto e pulsão.
-Cada status do desenvolvimento pulsional corresponde a uma fase do desenvolvimento libidinal.
-O bebê nasce num caos pulsional, não tem referências. Auto-erotismo: toda a energia libidinal/pulsional estão concentradas/represadas no corpo. Na medida que entra um ser humano cuidador, isso possibilita as primeiras organizações pulsionais.

-Fase oral: bebê não tem noção do corpo, mas sabe que tem um buraco (boca) – primeira organização pulsional.
-Primeiro subestágio anal: prazer da criança ligado às fezes.
-Momento de recalcamento muito forte.
-Segundo subestágio anal: retirada da fralda.
-Fase fálica: criança descobre a diferença anatômica.
-Genialidade: puberdade, adolescência. Finaliza o desenvolvimento que parte de um estágio caótico e chega num organizado.
-Em circunstâncias normais, a criança vai passar por todos os estágios.

-Narcisismo/fase narcísica do desenvolvimento libidinal: a criança não tem psiquismo, tem corpo e energia (sensações). Dura até aproximadamente 2 anos. Em casos normais, esperamos que a pessoa passe a uma estrutura diferenciada de ego (estrutura de pensamento). Ainda não tem recalque (tem pequenos recalques), pois ainda não tem psiquismo formado.

Principais características do narcisismo:
1.    Ego rudimentar: pensamento mágico, satisfação imediata da pulsão, baixa tolerância a frustração.
2.    Angústia: a criança não tem noção de que o outro é outro. Angústia psicótica de aniquilamento do eu (o pavor da criança é de não conseguir sobreviver).
3.    Relação de objeto: simbiótica, indiferenciada, fusional (bebê não se diferencia do outro, bebê e mãe são a mesma coisa do ponto de vista dele).
4.    Conflito: entre o ego e a realidade. A grande dificuldade do narcisismo e da psicose são as frustrações vindas da realidade (a mãe está separada, o alimento não vem quando precisa).

-Fixação/regressão.
-1924: recusa da realidade.
-A fixação libidinal ocorre por um excesso de energia liberado num momento (excesso de prazer ou de dor).
-As fixações da libido predominantes do narcisismo vão dar início a estrutura psicótica da personalidade (o eixo, a base da personalidade será psicótica).
-As fixações que ocorrerem na fase edípica vão dar início a estrutura neurótica da personalidade.
-A pessoa com base psicótica pode ter uma vida normal, caso tudo ocorra bem. Caso ocorra uma crise, a base psicótica retorna e pode desenvolver sintomas psicóticos. Quanto mais cedo ocorrer uma fratura no desenvolvimento, mais grave será e mais chances terá de desenvolver um sintoma psicótico.
-Fixação: parte do ego se desenvolve e parte fica preso a uma fase (modelo narcísico básico). A libido segue, mas a base é narcísica. A partir de uma ruptura, a libido retorna/regride para a posição em que estava fixada.
-Defesas do narcisismo: cisão do ego, recusa da realidade e a criação de uma nova realidade (delírio, alucinação).
-O delírio e a alucinação são sintomas positivos, pois nem toda psicose tem delírio e alucinação. Significam que a pessoa está tentando voltar para a realidade, porém da maneira dela, narcísica (ego regredido, cria uma realidade particular que satisfaça o desejo dele).
-Quanto mais precoce a regressão, mais grave.
-No caso da psicose, não falamos em recalque. Falamos de cisão do ego, recusa da realidade é criação de nova realidade (delírio, alucinação).

Neurose
1.    Ego constituído.
2.    Angústia de castração: envolve o outro, medo de perder a atenção, a admiração, recusa do outro.
3.    Relação de objeto: dual.
4.    Conflito: entre o ego e o ID, superego e o ID (entre duas tendências opostas).

5.    Defesa: renúncia, recalcamento (abrimos mão de algo).

sábado, 14 de maio de 2016

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Resumo da aula de Psicopatologia Geral (10/05)

Postado em
Neurose X psicose: diagnóstico estrutural (psicanálise)
-A psicopatologia descritiva não se ocupa de questões históricas e sim causa e sintoma observável.
-Pinel, em 1786, começou a descrever a loucura.
-1886: nova prática da Europa contestando o pensamento da psiquiatria.
-O problema da medicina foi tentar explicar a histeria buscando causas orgânicas.
-A porta de entrada da psicanálise foram os estudos sobre a história.
-A histeria passou a existir como entidade nosológica a partir de Pinel, mas sempre existiu.
-A psicanálise buscava desconstruir o paradigma de doença criado pela medicina.
-O psicótico raramente toma a iniciativa (rompeu laços sociais) de procurar tratamento.
-Neurótico sente angústia de existência, então consegue buscar tratamento.
-Provavelmente Freud começou a lidar com a histeria a partir do fluxo clínico e dos sintomas curiosos apresentados.
-Freud não começou com a psicose por conta da falta de procura destes. Quem chegava aos consultórios eram as histéricas.
-Primeira concepção de aparelho psíquico era pensado a partir de uma divisão entre vida psíquica consciente e inconsciente. O inconsciente corresponde ao que já foi consciente e quem faz essa varredura para o inconsciente é o recalque/repressão. Recalque é uma separação entre a representação (vai para o inconsciente) e o afeto (sintoma).
-O primeiro inconsciente Freudiano (1894): consciente e inconsciente separados pelo recalque. O inconsciente era formado pelo material recalcado.
-O sintoma histérico estava relacionado com alguma lembrança que não podia ser lembrada. A histérica sofre de reminiscências. As lembranças tinham a ver com traumas da infância de caráter sexual.
-Quando a censura era diminuída, através da hipnose, o sintoma tendia a desaparecer. Quando passava o efeito, a pessoa não lembrava do que foi falado, portanto não ajudava na solução do problema. Com isso, a hipnose é abandonada. Entretanto, a hipnose ajudou a perceber que há um aspecto do psiquismo que não podemos acessar conscientemente.
-O processo civilizatório recalca. O sujeito Freudiano é social. O psiquismo não existe sem o outro.
-Nesta época, Freud não falava nada da psicose. A preocupação era, através do sintoma histérico, traçar uma teoria da constituição psíquica.

-Primeira tópica: consciente e inconsciente.
-Primeira teoria do trauma: fato real não elaborado.
-Recalcamento:  primeira defesa, fundação do psiquismo e sintoma.

-Começa a perceber que havia algo relacionado ao tema que não necessariamente estava relacionado a um fato real, mas poderia este ligado a algum tipo de vivência ou desejo típico que crianças tenham. A teoria começa a mudar quando Freud perde a ilusão de inocência infantil. A criança está sempre em busca do prazer e não tem censura. Esse prazer está ligado às pessoas que cuidam da vida da criança (mãe e pai). Começa a formular a teoria da sexualidade infantil, onde pensa toda a nossa tendência a buscar o prazer e aliviar o desprazer que se inicia com nossos laços sociais com as pessoas responsáveis pelo nosso desenvolvimento psíquico.
-O que parecia um fato real, trauma, na verdade estava relacionado ao que toda criança, em algum momento da vida, deseja. O que traumatizada era a falha do recalque nessas situações.
-O ser humano nasce sem psiquismo. Tem uma energia potencial para ter psiquismo. Quando nascemos, o que funciona no corpo é a sensopercepção. Quando nasce, o bebê é um aglomerado de energia em busca da vida. A única manifestação instintual que temos é a situação de fome. A partir daí, nada que acontece no desenvolvimento humano é igual para todas as pessoas. A amamentação coloca em prática um processo pulsional. Recebe, além do leite, luz, calor, cheiro, contato, som etc. Fica registrado no sistema perceptivo dela, como sensação e não como imagem. Desprazer: busca do alívio de tensão. No segundo momento de fome, ela recupera a memória rudimentar de sensação de prazer e faz novos registros.
-Em 1906, Freud afirma que o bebê nasce em um estágio caótico. A criança passa por estágios de organização pulsional. Tem experiências de satisfação próximas da satisfação sexual. E cada etapa corresponde a uma organização especifica, separa em fases. Fase oral, primeiro sub-estágio anal, segundo sub-estágio anal, fase fálica, complexo de Édipo e fase genital.


Livro recomendado: o homem que fazia chover.

sábado, 30 de abril de 2016

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Resumo da aula de Psicopatologia Geral (26/04)

Postado em
-Estados sinistros: loucura, geminalidade.
-Muitas vezes, o que chamamos de loucura não é tão evidente assim.

Neurose e psicose (psicanálise, Freud)
-1893 até 1914: teoria do recalque (neuroses).
-1914: “introdução ao narcisismo” e “luto e melancolia” / primeiras teorizações acerca das diferenças entre neurose e psicose do ponto de vista libidinal.
-1923/25: teorizações sobre defesas específicas para neurose e psicose.

-Psicanálise surge fazendo uma crítica a medicina, que falava da loucura há 100 anos.
-Pinel e outras escolas trabalharam com descrição de sintomas. Doença precoce (esquizofrenias), monomanias (transtorno bipolar), psicastemia (transtorno obsessivo compulsivo), melancolia (depressão) já eram nomenclaturas presentes.
-A medicina buscava justificar porque a loucura era problema dela, buscando origens orgânicas. Pessoa em estado de desrazão, busca pela retomada da razão.
-Hoje sabemos que a patologia tem uma base orgânica, mas não genética.
-Tudo isso influenciou na criação de manicômios. A Alemanha não tem registros de manicômios.
-Os sintomas histéricos chamavam muita atenção. A pessoa não entrava em estado de desvalia, não havia correspondente orgânico que justificassem o sintoma.
-Freud começa a se interessar por essas questões e volta a observação para o sintoma histérico. Não tinham questões orgânicas, mas faziam parte da história da pessoa (registro de sedução, abuso).
-Breuer dizia que o sintoma era singular da pessoa.
-Freud vai para a comunidade científica falar sobre a hipótese de o sintoma estar ligado a alguma experiência traumática na infância.
-No início, a psicanálise não buscava distinguir neurose e psicose. O foco era eliminar a histeria.
-Ao mesmo tempo que descreve o sintoma histérico, a Psicanálise constrói/teoriza sobre como se dá o psiquismo no homem.
-O bebê freudiano não nasce com psiquismo, e sim com potencial a construir o psiquismo ao longo da existência.

-Recalque: repressão, abafar.
-Primeira teoria do mecanismo psíquico: todas as experiências passam por consciência e inconsciência. Nem tudo que é vivido, é suportado pela consciência. O que não era suportado, eram questões que afrontavam a moral sexual e religiosa da época. As histéricas tinham experiência de sedução na infância e a moral mostrava que aquilo era errado, o que fazia com que esse material fosse levado ao inconsciente. O inconsciente tinha a ver com tudo que um dia havia sido consciente. E tudo voltava a partir de determinadas circunstâncias (criança seduzida implicava uma quantidade grande de energia que não era ab-reagida, elaborada, então parte dessa energia virava sintoma). O recalque vai separar a representação do afeto.
-Quem introduz o recalque na vida da criança é o outro.
-Freud descobre que as histéricas mentem para ele por que nem sempre foram vítimas de sedução (não houve um fato concreto). Havia um desejo de realizar essa cena e esse desejo era varrido do campo da consciência e levado ao inconsciente, voltando através do sonho, sintoma etc.
-O sintoma é uma defesa do ego.


Filme recomendado: Victor, o selvagem de aveyron.

sábado, 9 de abril de 2016

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RESUMÃO: Psicopatologia Geral

Postado em
Resumo de Psicopatologia Geral – NP1

-Existem no mínimo 14 correntes teóricas em psicopatologia.
-A psicopatologia nasce na psiquiatria e fundamenta o trabalho do psiquiatra.
-É uma base de conhecimento racional, objetiva, bem diferente da humanista. Envolve termos médicos.
-Psicopatologia descritiva: manuais. Diagnóstico do sintoma (fazemos a olho nu). Não se importa com quais elementos da vida contribuíram para este modo de ser, história da família etc.
-Psicopatologia psicanalítica: psicanálise. Vai da cultura familiar do sujeito para o sintoma. Visão geral do todo da vida a partir de uma perspectiva histórica. Maior profundidade.
-Pensar loucura no contexto histórico.
-Primórdios da loucura: Grécia Antiga. Três concepções de loucura (muitas predominam até hoje):
1) Concepção mítica-religiosa: tudo era explicado a partir da mítica. Mecanismo de elaboração de fenômenos naturais e humanos. Os deuses (politeísta) explicavam a vida de maneira geral. O louco como porta voz da palavra dos deuses (intermediário, canal de comunicação direta), como uma pessoa com dom de passagem entre a vida terrena e a divina. É a concepção mais antiga e ainda prevalece em algumas culturas).
2) Concepção organicista: Hipócrates, pai da medicina, falou dos tipos de personalidade a partir de alguns fluídos (exemplo: excesso de sangue, bílis, ar. Falou da “hysteria” como patologia exclusiva feminina (relacionada ao útero).
3) Concepção psicológica: presença de um conflito psíquico (paixões, forças ocultas, códigos coletivos – ética, norma, princípios, valores) à época das grandes tragédias gregas que retratavam isto.

-Idade média: passa de politeísmo para monoteísmo. A igreja católica utiliza a determinação divina para controle. O que a igreja explicava, era divino, o que não, era inimigo. Retorna a concepção mítico-religiosa. É criado o “primeiro manual psicopatológico”, usado pela inquisição: 1° Malles Maleficarum. Quem falava do louco era a cultura (povo), mas não havia um saber específico.
-Renascimento: reforma protestante; crítica ao catolicismo; homem saindo dos fundos (se abrem); homem vende força de trabalho (sistema de trocas não dava mais conta do sustento de famílias); homem se afastando da sua origem, agora as incertezas surgem; homem busca ser o centro do universo (com a capacidade de investigar, pensar, criar, modificar a natureza). Questão do “controle” passa a ser um valor muito forte. O louco é visto de outra forma. Surgem as grandes casas de internação (1780 – Philipe Pinel) para albergar os “diferentes”. Quem estava doente, era tratado. Pinel foi designado a administrar o “hospital de Sant’Ana”. Na época, o campo científico estava em alta. Pinel chama alguns médicos e divide o hospital em dois: doentes “normais” e “alienados”. Escolhe um modelo descritivo para o fenômeno. Fundou a psiquiatria na França, nasce a psicopatologia. Abordagem da loucura de forma bruta (até hoje): exclusão, internação. As pessoas não estavam doentes, estavam num estado de des-razão (perderam a razão). Como a medicina iria explicar, se não havia sintoma? Surge o modelo descritivo para descrever a loucura/os sintomas com maior número de detalhes. Linha para justificar ou encontrar a sede da loucura no corpo (inúmeras brutalidades em experimentos para saber). Pinel estabeleceu o objetivo para a medicina de devolver ao louco a razão (sair do estado de des-razão).
-Pinel funda a “escola alienista”, que se propaga pela Europa, França, Itália, Portugal e América. Vem do princípio epistêmico positivismo e dá origem a várias escolas em psicopatologia (descritivo, comportamental, neurociência). Em 1980, começa-se a entender que os sintomas não estavam apenas relacionados ao corpo à 1ª reforma psiquiátrica, oposto ao “penso, logo existo”. Psicanálise desconstrói o paradigma exclusivamente orgânico, consciente (ideia de inconsciente). Dessa corrente humanista, surgem várias escolas de psicopatologia que relacionam a patologia ao afeto, história de vida.
-As questões da relação humana são provocativas. Nos provocam a responder com subjetividade.
-Uma das questões presentes no filme é se deixar afetar pelo que o outro provoca em nós.
-No renascimento, a psicopatologia começa a ser desapropriada do contexto popular para ser científica.
-Pinel passa a uma abordagem mais positivista.
-A medicina, durante séculos, se debateu com a questão em busca da cura (objeto de estudo da medicina: doença). Entendiam que o sujeito tem que retomar a consciência (sujeito da consciência – máxima cartesiana), criam-se métodos e procedimentos que falham ao decorrer do tempo (até hoje). Trata-se o sintoma. Sujeito positivista: penso, logo existo.
-Alemanha, Suíça, Áustria em aproximadamente 1880 surge uma abordagem crítica ao Pinel afirmando que o sintoma é produzido pela pessoa por uma vida psíquica (sujeito não é mais do consciente, mas sim do inconsciente).
-A psicose é um desenho do psiquismo. Freud estabeleceu 3 eixos organizadores da personalidade: psicose, neurose e perversão.
-Para entender o que é psicopatologia, temos que ver a abordagem que procura defini-la (para a medicina, é o adoecimento do psiquismo, o que se desvia do que é socialmente estabelecido).
-A abordagem positivista vê a doença: sujeito desviado da normalidade.
-A abordagem humanista não vê apenas o sintoma, pois este é apenas um recorte.
-A psiquiatria investiga o sintoma.
-O filme traz uma mudança de paradigma ao mostrar pessoas que deliram e talvez nunca deixem de delirar, mas isso não impede que se relacionem e tenham uma vida.
-O sintoma psicopatológico é uma defesa do ego.
-O que é psicopatologia? Depende do paradigma. Temos aproximadamente 14 abordagens atualmente, que partem dos dois eixos de pensamento (positivismo - sintoma, e humanismo – subjetividade, dinâmica grupal, laços familiares).
-A organização mundial da Saúde viu a necessidade de eleger um idioma universal para comunicações em psicopatologia (CID10 – enciclopédia de todas as doenças, muito utilizado clinicamente e DSM5 – muito utilizado para comunicação científica).
-A psicopatologia sofreu preconceitos sendo acusada de enquadrar, rotular. Todos os campos de conhecimento da psicopatologia contribuem para que entendemos a dor do outro.
-Psicopatologia médica: psicopatologia descritiva e geral.
-Psicopatologia descritiva (psicopatologia geral): preocupação de descrever objetivamente todos os sintomas. Precisa de uma metodologia para definir o sintoma (criada a partir de uma divisão hipotética em funções psíquicas). “Dissecou” as funções psíquicas através da observação do comportamento humano e descreveram o que era necessário num funcionamento normal/ideal para as funções estarem em ativa e o que foi desviado.
1- Integração: consciência e atenção.
2- Sensopercepção: tudo que se relaciona aos órgãos do sentido.
3- Funções cognitivas: pensamento, orientação, memória.
4- Funções afetivo-conativas: afetividade, conação.
5- Psicomotricidade.
-A Psicopatologia descritiva vai observar a partir da forma (rígida, estável) e do conteúdo (mutável). Exemplo: febre (forma é a descrição e conteúdo varia de pessoa para pessoa, a temperatura afeta a pessoa de formas diferentes).

Consciência
-Existe uma quantidade de potencial neurológico de acordo com a necessidade do sistema nervoso, o que garante a vigília (capacidade de se manter acordado). Esse aspecto quantitativo varia do coma a hipervigília.
-A consciência é o palco onde irão ocorrer todas as outras funções psíquicas (é integradora, possibilita que as outras funções psíquicas aconteçam). A consciência não existe sem a atenção (qualquer alteração em uma, altera a outra).
1-    Aspecto quantitativo (neurológico).
1a- Hipervigilância (estado de excitação da consciência – pode ter alteração motora, adormecimento)
1b- Hipovigilância (estado de rebaixamento quantitativo da consciência):
     -Flutuação: estado de oscilação da consciência.
     -Obnubilação: período de dificuldade de apreensão do ambiente porque a percepção está turvada. A consciência perde o foco, é um estado de confusão mental (afeta a atenção, memória).
     -Torpor: pré-coma. Atividade reflexa fica funcionando.
.    –Coma: ausência de consciência
2-    Aspectos qualitativos (campo da consciência, território onde todos os fenômenos são vivenciados / depósito de informações / atos repetidos – automáticos vão para esse campo e, com o tempo, passam para a periferia – borda da consciência, ficam automatizados):
-Dissociação da consciência (separar em partes as unidades da consciência, que passam a funcionar com autonomia, sem conversar uma com a outra), transe (entra em outra frequência de consciência, precisa dissociar a consciência para se transportar a uma outra condição – é patológico quando prejudica a pessoa ou cria outras idéias, como possessão), estado crepuscular (perde as informações do campo da consciência porque há um estreitamento deste, mas não perde os atos automáticos).
3- Consciência do eu (Jaspers – teorizou muito sobre a psicose, afirmando que quando a consciente está alterada, teremos um sintoma psicótico – descreveu 5 propriedades da consciência):
3a- Existência do eu: consciência de que existe.
3b- Unidade do eu: noção clara de que o eu é único e indivisível.
3c- Identidade do eu: noção de que o eu é único e indivisível ao longo do tempo, um eu sustentável.
3d- Oposição eu em relação ao mundo: clareza de que a pessoa tem uma membrana/pele que a separa do mundo.
3e- Atividade do eu: noção de que é o eu que realiza a ação (não atribuir a algo externo).

-A noção de eu é desenvolvida a partir das relações humanas, não nascemos com ela. O bebê é um aglomerado de sensações.

Funções psíquicas
Sensopercepção em psicopatologia:
-Primeira função psíquica que começa a funcionar, está diretamente ligada ao aparelho sensório (a todas as vias de captação de percepção).
-No início, a criança não tem noção do que é interno ou externo. Quando nasce, é exposta a várias coisas (luz, sensação de queda, dor, temperaturas), capta informações através do aparelho sensório e as leva até o campo da consciência, onde farão um registro da sensação. Quando a criança sente fome, urra para alguém fornecer-lhe o alimento. Após isso, a criança se acalma (através de uma série de sensações percebidas – prazer e desprazer). Esse registro mnêmico fica inscrito no campo da consciência. Quando sentir fome novamente, irá lembrar a experiência. Os registros seguintes serão desdobramentos do primeiro.
-A sensopercepção é fundamental na constituição do psiquismo.

1.    Alterações quantitativas:
-Hipoestesia: rebaixamento da capacidade de sentir/perceber os estímulos.
-Hiperestesia: aparelho sensório recebe os estímulos de forma inflacionada. As cores ficam mais vividas, os sons mais altos.
-Anestesia: certas funções sensórias param de funcionar. Existem alguns quadros dissociativos em que a pessoa deixa de sentir algum órgão sensorial.

2.    Alterações qualitativas

-Ilusão: percepção deformada de um objeto real e presente. Pode estar relacionada a qualquer um dos órgãos do sentido.
-Alucinação: percepção clara e definida de um objeto ausente. Pode estar relacionada a qualquer um dos órgãos do sentido. Cinestesia (movimentos que não estão acontecendo / que o sujeito não está fazendo), sinestesia (alucinações combinadas, exemplo: a pessoa passa por uma cena alucinatória vendo um gato, sentindo o cheiro e o pêlo) e cenestesia (muito típica na depressão, sensação de perda dos órgãos). São sintomas ego sintônicos, onde a pessoa não duvida do que acha que está acontecendo.
-Alucinoses: percepção clara e definida de um objeto ausente. São sintomas ego distônicos (o ego não concorda com o que está acontecendo – a pessoa sabe que aquilo não é normal que aconteça com ele, mas isso não é suficiente para impedir).
-Pseudo-alucinação: pessoa faz referência a vozes ou imagens que acontecem dentro do espaço psíquico.

Memória
-Depende da sensopercepção fazer a captura de estímulos e registrar. Muito ligada a afetividade.
1.    Alterações quantitativas:
-Amnésia: ausência de memória (definitiva ou temporária, causa orgânica ou não).
-Hipermnésia: excesso de lembrança. Capacidade de evocação muito grande para recuperar memórias. Revivecência alta.
-Hipomnésia: rebaixamento da memória. Pode estar associado a fadiga, depressão, stress, traumas.

2.    Alterações qualitativas:
-Deja-vú: sensação relacionada a aceleração de descarga elétrica no córtex cerebral.
-Jamais-vú: sensação de que nunca viveu uma situação que sempre viveu. Não necessariamente é neurológico, pode ser stress, trauma, álcool, drogas, afetividade.
-Relembramento delirante: a pessoa tem uma lacuna de memória. Não lembra de determinada situação e preenche essa lacuna com uma história inventada (mentira patológica).

-Exame psíquico é a ferramenta do psiquiatra para avaliar os sinais e os sintomas em uma primeira avaliação psicopatológica. Existe um roteiro. O ponto mais importante é essencial é a anamnese. Olhamos a aparência, postura, investigar a questão física.
-Na entrevista psicológica, o paciente estrutura o campo da entrevista, portanto o tempo é a metodologia são diferentes do exame psíquico. Mesmo assim, todos os elementos estarão presentes (aparência, postura, questão física, indicadores psicopatológicos).
-Até 2001 não tínhamos nenhuma lei que salvaguardasse as pessoas com transtorno mental no Brasil.
-3 eixos: paradigmático, jurídico e técnico.
-A reforma psiquiátrica busca mudar a concepção de loucura. Ocorreu mundialmente.
-Ocorrem mudanças no campo jurídico.

Afetividade
-Função psíquica que dá o tom do nosso comportamento, nossas sensações.
-Tem uma variação polar: rebaixamento do humor e elação do humor.
-A afetividade nos ajuda a fazer um diagnóstico diferencial entre neurose e psicose.
-A capacidade de sentir ou não sentir está ligada a alterações psicopatológicos graves.
-Humor: estado/disposição afetiva. Tem variação polar (mais ou menos prontidão para a vida).
-Emoção: para a psicopatologia, deve ter manifestação neurovegetativa (efeito no corpo - mão suando, tontura). É súbita (acontece com o inesperado).
-Sentimento: ligado a cognição. Estados afetivos mais estáveis, com variação polar, ligado aos componentes do afeto.

Componentes do afeto
1.    Tônus afetivo: quantidade de afeto investida em determinada situação, é a intensidade. Garante nossa ligação com as coisas e a capacidade de sustentá-las.
2.    Ressonância afetiva: capacidade de corresponder afetivamente ao contexto (reverberação e empatia aos estímulos – se afetar). Está muito relacionada a capacidade empática (se relacionar com o outro).
3.    Modulação: capacidade de adequar o afeto ao contexto, avaliar o afeto.

Alterações da qualidade dos afetos
-Embotamento afetivo: hipotônico, hipomodulante e hiporessonante (exemplo: psicoses, depressão grave).
-Labilidade afetiva: hipermodulação do afeto (exemplo: mania, TPM).
-Dissociação afetiva: supressão/separação das emoções vinculadas a uma ideia (exemplo: histeria, pessoa que gasta compulsivamente, rir após sofrer um acidente ou receber uma notícia ruim). Está relacionada ao stress.
-Ambivalência afetiva: sentimentos antagônicos ao mesmo objeto (exemplo: manias, contar uma história em que chora e ri na mesma sequência, depressão).
-Incongruência afetiva: emoção ou afeto desvinculado do contexto (exemplo: rir após sofrer um acidente ou receber uma notícia ruim).

Humor
-Hipotimia: rebaixamento do humor (falta de energia, desânimo).
-Hipertimia: elação (ânimo, energia).
-Humor irritável: sintoma depressivo, pessoa que busca motivos para brigar.
-Humor ansioso: expectativa negativa sobre algo.
-Disforia: desassossego (pessoa senta, levanta, xinga – inquietação).

Vontade
-Depende da intenção, tônus e psicomotricidade. Está ligada a conação (capacidade de transformar a vontade na atitude).
-Alterações quantitativas: hipobulia (falta de desejo, motivação) e hiperbulia (motivação frente a qualquer estímulo, excessivamente).
-Alterações qualitativas: negativismo (resistência ao estímulo. Pode ser ativo ou passivo – negação oral ou através da postura). Oposição a uma expectativa, a um estímulo do ambiente.

-Consideramos psicopatológico quando existe a frequência, a intensidade e a presença de outros sintomas.
-Cada Psicopatologia tem a predominância da alteração de uma função psíquica.

Pensamento
-Na normalidade, nossa forma de expressão do pensamento é a linguagem oral. Entretanto, existem outras formas para expressar o pensamento, estados subjetivos etc.
-Sempre que temos uma alteração de linguagem, temos uma alteração de pensamento.
-O discurso (linguagem oral) é a forma mais clara, explícita para inferir sobre os processos mentais.

Componentes do pensamento
-Pode ter alterações no fluxo é na forma.
-O pensamento tem um fluxo/curso: aceleração (aumento do fluxo do pensamento, típica dos casos de mania), lentificação (pensamento fica lento, típico nos casos de sonolência, depressões), bloqueio ou roubo do pensamento (esquizofrenias, um corte no fluxo do pensamento).
-Forma: lógica e organização.
1. Arborização do pensamento: perda do foco principal sem prejuízo no encadeamento das idéias.
2. Fuga de idéias: perda da estrutura lógica do discurso. É um passo anterior a desagregação do pensamento. Está associada ao bloqueio e os pensamentos não se concluem.
3. Desagregação do pensamento: prejuízo dos laços associativos com acentuada perda da lógica do discurso (salada de palavras, as vezes a pessoa não consegue terminar uma palavra ou frase, esquizofrenias, depressões).

Juízo de realidade
-Nossa capacidade de avaliar, criticar, ajuizar satisfatoriamente a realidade vivida. Capacidade de estar conectado à realidade coletiva (ao que de fato está acontecendo). É assim que o indivíduo apreende e compreende a existência de si mesmo e do mundo.
-A noção de consciência é a primeira noção, matriz de formação da nossa identidade.
-A principal alteração do juízo de realidade é o delírio (fenômeno primário que não tem raízes na experiência psíquica do homem normal).
-É impossível convencer a pessoa de que ele não é quem acredita ser.
-Delírio persecutório: a pessoa entra num processo de humor delirante, onde acha o mundo estranho e parece não reconhecer. O estranhamento já é fruto do processo de ruptura com a realidade externa. Se desvincula da própria construção de vida. Começa a atribuir situações delirantes a fatos corriqueiros. A pessoa tem um insight e constrói uma teoria sobre o fenômeno (vivência de revelação).
-Delírio de referência: pessoa acha que tudo é para ela e com ela.
-Delírio de relação: envolve persecutoriedade, referência (complô contra a pessoa etc). Uma coisa está relacionada com a outra (exemplo atribuir emoções a cores).
-Delírio de influência: ou vivência de influência, acredita que as ações ocorrem com forças externas a pessoa (planos feitos pela máquina de lavar, ondas magnéticas).
-Delírio de grandeza: a pessoa se acha a melhor.
-Reivindicação sentimentos de justiça: pessoa tem a convicção de que está sendo injustiçada, mesmo que as evidências da realidade sejam contrárias. Tem a convicção de estar sendo perseguida injustamente.
-Invenção ou descoberta: pessoa tem certeza de que descobriu uma máquina.
-Delírio de reforma: parecido com o de invenção, mas relacionado a algo ideológico. Exemplo: pessoa acredita que tem uma fórmula que vai combater a fome no mundo.
-Delírio místico ou religioso: em geral é de grandeza.
-Delírio de ciúmes: manifestação de insuficiência.
-Delírio erótico: acredita que todos se apaixonam pela pessoa.
-Delírio de conteúdo depressivo: típico da depressão.
-Delírio nilista ou ruína: o mundo está acabando.
-Delírio de negação dos órgãos: acredita que foi roubada ou perdeu um órgão.
-Delírio hipocondríaco: acredita que tem doenças.
-Delírio cenestopático: órgãos estragando, sendo comidos.
-Delírio de infestação: comum em transtornos alimentares – não come com medo de ter micróbios.

-O que é a reforma psiquiátrica?
-Discussão sobre minorias em Caracas, levando à Declaração de Caracas, que fala da loucura, das escolas especiais, deficiências, minorias étnicas, identidade de gênero e convoca todos os países.
-No Brasil, a constituição de 1988 fala sobre a universalidade e integralidade do direito a saúde. Ocorre uma reforma no sistema de saúde, se tornou Sistema Único de Saúde (SUS), pautada nesses princípios.

Ações de saúde mental
1.    Reforma psiquiátrica: mudança paradigmática doença X saúde e cura. Antes a saúde era vista como ausência de doença (perda das faculdades mentais interpretada como a perda da capacidade total do sujeito). Temos que considerar que essas pessoas tem uma realidade própria e que isso pode ser uma forma de existência. Não criar modelos assistenciais, e sim de igualdade de direitos. Quem é psicótico, reage às coisas de forma psicótica e nunca será neurótico. Quem é neurótico, reage às coisas de forma neurótica e nunca será psicótico.
2.    No âmbito jurídico é necessário ter leis para colocar em prática os princípios propostos.
3.    Técnico-assistencial: revisão das práticas.
-Tudo isso pautado em princípios, tais como: territorialização, trabalho em rede, CAPS como mediador entre sujeito e rede, responsabilização (garantir que os agentes do estado, município façam a “costura” entre o sujeito é o acesso a saúde – espécie de monitoramento).

-Delírio: fronteira entre o público e o privado. Essa definição pode ser expandida para toda a questão psicótica. O surto psicótico é um corte na biografia do sujeito.

-O surto se dá aos poucos, gradativamente, até chegar a delírios, alucinações e outros sintomas psicóticos. Se a pessoa perdeu o vínculo com a sociedade, o que temos que fazer é promover novamente a reintegração e não segregar, pois isso cristalizaria o sintoma.