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domingo, 19 de fevereiro de 2017
Ética X Moral
-Freud: o mal-estar
da civilização – o homem deixa de ser “bicho” e passa a conviver em ‘civis’
(cidade). Para Freud, para que as pessoas pudessem passar pelo processo
civilizatório, era necessário abrir mão de instintos primeiros.
-Preservação da espécie: eros / pulsão de vivo / instinto de
vida.
-Tudo que é vivo, morre: pulsão de morte.
-Tudo o que é favorável para a preservação da espécie e
para nossa própria, tem a tendência de ser repetido: costumes (moros – moral).
-Segundo Freud, a energia foi canalizada/sublimada para a
produção de cultura (cultivar, incentivar, fazer com que aconteça mais). O
primeiro ato de sublimação foi com a linguagem para deslocar sentimentos e
sentidos para outro lugar.
-Se tenho pulsão, tenho o movimento. Se tenho a palavra,
tenho o desejo.
-Moral:
procedimentos e costumes que a civilização adquiriu e em que nascemos, com os
quais conseguimos evitar coisas ruins e fazer coisas boas que preservem as
relações. Deve se adequar às condições de subsistência em que o indivíduo vive
(os costumes e a moral são adaptados para que a humanidade sobreviva; os
valores são construídos a partir disso). Criam condições que garantam a
resistência dentro do contexto, não é rígida, é flexível. Existem várias
morais. Cria regras (régua, criar medidas, dimensões, regular).
-O que permeia a relação do indivíduo com o coletivo é a
moral. A ciência que estuda essa relação é a ética (ethos – comportamento).
Ética estuda comportamentos morais.
-Somos o que somos por conta de uma moral.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Resumo da aula de PCP (08/02)
Postado em Pesquisa de campo em Psicologia
Pesquisa de campo em
Psicologia
1º semestre de 2017
- Aprovação do CEPPE.
- Operacionalização da coleta de dados.
- Organização dos dados obtidos na pesquisa que foi aprovado pelo CEPPE.
- Redação da sessão resultados.
- Redação da discussão.
-Não haverá prova. Apenas uma nota no final do semestre a
partir do trabalho.
Introdução:
-Revisão bibliográfica.
-Objetivo (geral e específico).
-Justificativa.
-Hipóteses.
Método:
-Sujeito/fontes.
-Coleta e análise de dados: procedimentos e conceito.
-Questões éticas.
-Aparatos.
-Cronograma.
9º semestre: resultados e discussão.
10º semestre: conclusão.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
RESUMÃO: Psicologia Cognitiva
Postado em Psicologia Cognitiva
Psicologia Cognitiva –
NP2
Terapia cognitiva
construtivista
-O nosso processo de construção de significado é realizado
numa interface entre cognição, emoção e experiência, a partir da participação
ativa do indivíduo.

-Isso forma um conjunto de crenças que sustenta o processo
de julgamento, tomada de decisões e ações do ser humano. As ações, os
julgamentos e as decisões passam pelas crenças, geradas a partir do que sentiu,
pensou e experienciou.
-Um dos três pilares tem uma força maior: emoção. É uma teoria emocional.
-As concepções construtivistas pressupõem que o ofício da
significação se encontra subordinado à influência de emoções, e não dialética
razão.
-Ou seja, é através
dos elementos proprioceptivos (sensações) e das estruturas vivenciais (que
interpretam os estímulos da experiência) que ocorrerá o processo de atribuição
de significados.
-Em uma experiência nova, o significado é mais baseado no
que sente (biológico, visceral, emocional, sentimental). Sente antes e pensa
depois (milésimo de segundos).
-O funcionamento cognitivo se caracterizará pelo mundo
exterior e sua transposição, atribuindo significados que, muitas vezes, não são
originários do estímulo em si. O significado transpõe a realidade, o
significado do mundo não é só o significado do objeto, mas sim a transposição
dele.
-Assim, a realidade interna da pessoa é vista como derivada
do modo como o indivíduo sente
emocionalmente o mundo, e não só a maneira racional.
-O conhecimento é o fruto de uma organização pessoal,
arquitetada e organizada por cada pessoa.
-Existem dois tipos globais e complexos de atribuição de
sentidos. Retratando a maneira como nosso organismo organiza-se em suas trocas
com o mundo.
1- Processamento
conceitual: percebido através da nossa razão e raciocínio lógico.
2- Processamento
vivencial: significados gerados advém de uma percepção e leitura dos
conteúdos corpóreos, estando em uma condição quase total de pré-conceitualidade
e inconsciência.
-Trocamos informações com o mundo através desses dois
processamentos.
-Teorias construtivistas em psicoterapia divididas em duas
variantes, diferentes conceitos do significado realidade:
1. Construtivismo
radical: posição idealista, como filosofia, afirmando não há realidade além
da experiência pessoal. Exemplo: “não sou o que penso de mim, mas o que
experienciam de mim”.
-Sente, e essa é a realidade, não existe uma externa.
-Conhecimento refletido pela expectativa tal qual
construímos.
-Maturana e Varela utilizam conceito autopoiese (sistema de
auto organiza constantemente).
-Só admite experiências pessoais, não a realidade externa
em si.
2. Construtivismo
crítico: não nega a existência de mundo real, mesmo que não possamos
conhecer diretamente. Não lê a realidade pura, porque não se desvencilha da sua
percepção, não entra em contato direto, passa pelas emoções e significados da
pessoa. Passa por viés emocional que é próprio da pessoa. Realidade sentida de
maneira pessoal.
-O indivíduo é co-criador da sua realidade pessoal.
Realidade externa existe objetivamente, porém o conhecimento desta jamais será
objetivo, e sim as próprias percepções e experiências.
-Destaque: Vittorio Guidano e Óscar Gonçalves.
-É indicada quando o objetivo é compreender a “construção
de significados” que o indivíduo realizou ao longo da vida e provavelmente
causando sofrimento.
-Foco sobre esquemas emocionais orientam tal “construção” e
as narrativas que o paciente faz sobre sua história de vida e experiências
atuais.
-“A prioridade é o indivíduo e sua história, não a
observação externa, o diagnóstico ou a aplicação da técnica na realização de
uma psicoterapia científica” (ABREU, C. 2003).
-Diagnóstico, generalização de dados e técnicas,
importantes, mas não o foco.
-Psicoterapia construtivista é recente no Brasil.
-Visão piagetiana:
desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório-motor até o
operatório abstrato. Propondo através que provoquem desequilíbrios e
reequilibrações sucessivas, promovendo descoberta e construções de
conhecimento.
-Para construir conhecimento, concepções combinam-se
informações de meio, conhecimento não descoberto espontaneamente, nem
transmitido de forma mecânica, meio externo ou adultos.
-Conhecimento resultado de interação, sujeito sempre
elemento ativo, procurando ativamente compreender o mundo, buscando resolver as
interrogações que o mundo provoca.
-É aquele que aprende basicamente através das próprias
ações sobre objetos do mundo, constrói suas próprias categorias de pensamento
ao mesmo tempo em que organiza seu mundo.
-Não é o sujeito que espera alguém que possui conhecimento,
transmita em ato de bondade.
Terapia cognitiva
construtivista
-Para construir conhecimento concepções combinam-se
informações meio, conhecimento não descoberto espontaneamente, nem transmitido
de forma mecânica meio exterior ou adultos.
-Conhecimento resultado de interação. Sujeito procurando
ativamente as concepções do mundo.
-Não é um sujeito que espera alguém que possui conhecimento
que transmita em um ato de bondade.
-Nasce contra visão mecanicista e ordenada, cognoscível,
cujas formas/funções podem ser refletidas sobre mente humana e seus produtos.
-Em psicoterapia, interessados em eximir julgamentos de
realidade pessoal do cliente por critérios externos de
racionalidade/objetividade.
-O referencial não é externo, é construído junto, contínuo
e ativo por parte do sujeito e mundo.
-Rejeita o DSM-IV pela aplicação excessiva de níveis
rejeitam/subordinam maneiras alternativas de compreender o cliente. O foco é
nos esquemas estruturais emocionais (como emocionalmente construiu).
-Colocando-se no mesmo nível, como modelos de funcionamento
psicológico alternativos e viáveis.
Terapia cognitiva
narrativa
-GONÇALVES, O. PSICOTERAPIA COGNITIVA NARRATIVA: MANUAL DE
TERAPIA BREVE. CAMPINAS: EDITORIAL PSY, 1998.
-Ao procurar apresentar-se alternativa modelos
racionalistas/mecanicistas dominantes na Psicologia, a psicologia narrativa
obriga redefinição de grande parte dos seus pressupostos epistemológicos.
-Essa epistemologia se sustenta em 4 pilares:
1. Existência como
conhecimento: indissociação entre conhecimento e experiência.
-Revolução cognitiva em 1950: estruturas, processos e
conteúdos envolvidos na construção do conhecimento.
-Temática de processos por intermédio por quais seres vivos
constroem e transformam conhecimento, assimilação passiva e pró-ação ativa.
-Tem qualquer ser vivo, a existência não pode ser
dissociada do conhecimento (por existir, já conhece – não é algo que vem de
fora).
-Todos os seres vivos conhecem, reconhecem, transformam e
transformam-se no decurso da sua existência.
-Trata-se da passagem da visão estritamente epistemológica
(cognitivismo) para a visão existencial.
-Procura organização hierárquica de elementos fundamentais
(esquemas cognitivos, pressupostos filosóficos, estruturas cognitivas, mecanismos
tácitos, constructos pessoais da psicologia) e dá lugar a apreciação da matriz
relacional da experiência como elemento indissociável do conhecimento.
-Nega o cognitivismo.
2. Conhecimento como
hermenêutica
-Ideia que todo conhecimento (e por implicação, toda
existência) tem natureza inerentemente hermenêutica. A hermenêutica é a arte ou
o método interpretativo que procura compreender um determinado texto.
-O processo de substituição de modelos retroativos
sensorialistas por modelos ativos motores acentuou a ideia de que o sujeito
constrói a realidade por processo de codificação ativa. Interpreta e tira
significado daquilo, num processo ativo.
-A construção simbólica da realidade corresponde ao
processo de significação que opera através da imposição de processos
hermenêuticos.
-O fenômeno psicológico situa-se no nível de construção
ativa de significado e do processo por intermédio do qual esse significado
constitui a realidade psicológica dos indivíduos.
-Compreender o comportamento humano é essencialmente
compreender os sistemas interpretativos utilizados pelos sujeitos no sentido de
expandir, dar significado a experiência.
-Mas aqui a proposta hermenêutica surge com significado
diferente da procura / encontro de significados. Não vem só com significado de
procurar significado, vem como resposta conjunta de buscar significado.
-Hermenêutica nasce com a interpretação de textos sagrados,
mais tarde, textos legais.
-Só recentemente, no final do século passado, se liga a
interpretação do discurso individual (psicanálise).
-Cada um destes casos, a hermenêutica procura interpretar
ou levar o indivíduo a interpretar com base em pressupostos existencialistas
construídos aprioristicamente.
-A multiplicidade de existência nas suas diversas vertentes
remete a miríade de significados, desdobramentos complexos / múltiplo de
conhecimento.
-Segundo Shotter (1995), vivemos num mundo vago,
parcialmente especificado, instável e em desenvolvimento.
-Esta dimensão de inespecificidade dá espaço para dimensão
criativa e hermenêutica do conhecimento humano.
-Por mais paradoxal que pareça, a realidade especifica-se e
adquire dimensões maiores de estabilidade, não por referência ao mundo externo,
mas pela subjetividade hermenêutica individual.
-Impõe coerência interpretativa do caos multi-potencial do
mundo. Sentido subjetivo cria estabilidade.
-A ordem/regularidade corresponde sobretudo a necessidade
psicológica de dar ordem, sentido de coerência existencial.
-Onde não compreendemos, nos angustiamos.
-A definição do mundo único estável através da sacralização
de uma pretensa hiper-realidade, é negação profunda de multirrealidade.
4. Fundamentos para
psicologia narrativa
-O discurso feito no contato interpessoal está situado em
uma cultura. O significado só pode ser entendido porque tem um significado mais
amplo (contexto). O lugar que está que determina o significado.
-Então narrativas são formas de significação que operam num
contexto, no espaço de interindividualidade.
-As narrativas que dão sentido a existência, tornando comum
a cultura, o diálogo.
Fundamentos de uma
psicoterapia narrativa
-No contato com o terapeuta, cria uma comunidade
conversacional (troca de diálogos) para ampliar significados, através de
múltiplas vivências, onde os discursos se encontram. Não é corrigir ou adaptar,
é ampliar/maximizar significados através do discurso.
-Todas as angústias e vivências são colocadas no discurso,
onde serão ampliados os significados e criadas novas possibilidades de pensar
amplamente.
-A Terapia Cognitiva Narrativa tem o objetivo de levar o
cliente a construir na interação com o terapeuta, uma comunidade
conversacional, realidade múltipla de experiências sensoriais, emocionais,
cognitivas e de significação.
-A ideia é capacitar o cliente a construir um discurso
narrativo rico em termos de multiplicidade, complexidade, coerência, adaptativo
a exigências impostas pela sociedade complexa e multi.
-Últimos anos psicoterapias cognitivas testemunhado
considerável evolução.
-Desenvolvimentos mais recentes, destaque ao papel
atribuído narrativa como elemento central construção conhecimento e implicações
clínicas.
-Perturbação psicológica provocada pela incapacidade de dar
conta da diversidade/potencialidade da experiência através da organização de um
discurso narrativo diversificado, complexo e coerente. Se o mundo é muito
complexo, se não damos conta da diversidade e potencialidade de experiências
que o mundo oferece, se não conseguimos criar um discurso lógico para a
experiência, teremos uma perturbação psicológica.
-Cliente assume a existência de uma realidade externa/interna
absolutas, insubstituíveis. Aí está o erro, pois não consegue perceber
mudanças.
-“Assume” que não tem saída. Os significados são sempre
múltiplos, o limite do conhecimento se dá a existência. Existir é conhecer. Não
pode ser encaixado no DSM-IV, pois não pode ser limitado a isso.
-O terapeuta é um facilitador, guia de novos contextos e
narrativas.
-A perturbação vem da dificuldade de organização de uma
experiência numa narrativa coerente.
-Ao invés de ver a realidade como processo de negociação
interpessoal de possibilidades múltiplas, assume a responsabilidade de único
construtor desta realidade.
-Resultando em desânimo
e singularidade:
-Desânimo
por incapacidade de poder prever múltiplas possibilidades de negociação para
experiência sensorial, emocional, cognitiva e significações. Não perceber que
existem outras formas, além da parte limitada.
-Singularidade
pela estranheza em ver-se diferente dos outros nessa construção de experiência.
-A psicoterapia narrativa procura responder estes problemas
através da facilitação da construção narrativa. O terapeuta não é um corretor,
é um facilitador para a estimulação da criação de novas narrativas por parte do
cliente.
-Proporciona uma elaboração narrativa múltipla de conteúdo,
processualmente mais complexa e estruturalmente mais coerente, num contexto de
elaboração discursiva e conversacional com terapeuta/comunidade linguística do
cliente. Novas possibilidades de experiências, vivências, narrativas serão
criadas de forma que faça sentido para ele. Terapeuta cria espaço para isso,
mas não conduz.
A recordação
-Não há narrativa sem recordação. Não há como narrar sem se
lembrar.
-Memória semântica (significado das coisas), memória
episódica (momentos/episódios da vida).
-Capacidade de singularizar episódios significativos da
vida que faz cada indivíduo autor própria narrativa.
-Ter uma existência narrativa é ser capaz de recordar,
sincrônica/diacronicamente (saber que o outro também influenciou), múltiplos
episódios da vida.
-Recordar é sinônimo de construção de sentido de coerência
através da diversidade de experiência.
-Em suma, através da recordação, procura capacitar o
cliente a abertura à experiência e para o desenvolvimento inicial com maior
sentido de coerência na elaboração narrativa.
A objetivação
-Cliente é levado a experienciar a multiplicidade de
realidades externas através de toda dinâmica disponibilizada por capacidades
sensoriais. Através da capacidade de sentir, vai ser levado na terapia a várias
formas de sentir o que acontece lá fora. Criar novas realidades possíveis.
Recordar situações e levar o cliente a sentir de outras formas, objetivar a
situação.
-Realidade constitui um incomensurável menu que o cliente
em perturbação raramente desfruta.
-Terapeuta encoraja o cliente para a objetivação de cada
recordação episódica diária, para perceber a complexidade das experiências.
Desde do momento que acordou, cada detalhe, todas as sensações (físicas e
psicológicas).
-Cliente vai progressivamente se dando conta de que a
realidade é um contexto possibilitador de uma grande diversidade de
experiências.
-Dimensão da complexidade sensorial da experiência,
permitindo a emergência de uma consciência progressiva de narrativas diárias,
podendo ser vista como ricos menus diversificados para a elaboração narrativa.
A metaforização
-Condensadores de significado.
-Através dela damos sentido recordações sensoriais,
emocionais e cognitivamente.
-Capacitar cliente produzir múltiplos significados p/ cada
memória episódica.
A subjetivação
-Trabalho de construção múltipla prossegue.
-Aqui é variedade de experiências emocionais/cognitivas que
se procura.
-Mostrar possibilidade de diversidade de experiências
emocionais do passado, presente e da procura ativa no futuro.
-Através exercícios ativação emocional, realizados sessão e
exercícios diários, procura-se alargar leque experiências emocional, p/ ser
capaz elaborar em cada situação matizes diferenciados de ressonância emocional.
A projeção
-Remete ideia indivíduo constante movimento espaço/tempo.
-Capacidade de internacionalizar de modo narrativo as
experiências do futuro.
-Cliente constrói e descontrói-se todo momento,
intencionalizando experiências que geram novas possibilidades de
intencionalização da experiência.
-Orientar cliente construir uma metáfora alternativa à
metáfora raiz que tem orientado seus sistemas conversacionais e de
significação.
-Depois cliente parte para nova revisão da história vida e
de modo a encontrar/fundamentar, no passado histórico, episódios
caracterizadores desta nova forma de significação.
Resumo da aula de PC (10.11)
Postado em Psicologia Cognitiva
4º pilar (fundamentos
para psicologia narrativa)
-O discurso feito no contato interpessoal está situado em
uma cultura. O significado só pode ser entendido porque tem um significado mais
amplo (contexto). O lugar que está que determina o significado.
-Então narrativas são formas de significação que operam num
contexto, no espaço de interindividualidade.
-As narrativas que dão sentido a existência, tornando comum
a cultura, o diálogo.
Fundamentos de uma
psicoterapia narrativa
-No contato com o terapeuta, cria uma comunidade
conversacional (troca de diálogos) para ampliar significados, através de
múltiplas vivências, onde os discursos se encontram. Não é corrigir ou adaptar,
é ampliar/maximizar significados através do discurso.
-Todas as angústias e vivências são colocadas no discurso,
onde serão ampliados os significados e criadas novas possibilidades de pensar
amplamente.
-A Terapia Cognitiva Narrativa tem o objetivo de levar o
cliente a construir na interação com o terapeuta, uma comunidade
conversacional, realidade múltipla de experiências sensoriais, emocionais,
cognitivas e de significação.
-A ideia é capacitar o cliente a construir um discurso
narrativo rico em termos de multiplicidade, complexidade, coerência, adaptativo
a exigências impostas pela sociedade complexa e multi.
-Últimos anos psicoterapias cognitivas testemunhado
considerável evolução.
-Desenvolvimentos mais recentes, destaque ao papel
atribuído narrativa como elemento central construção conhecimento e implicações
clínicas.
-Perturbação psicológica provocada pela incapacidade de dar
conta da diversidade/potencialidade da experiência através da organização de um
discurso narrativo diversificado, complexo e coerente. Se o mundo é muito
complexo, se não damos conta da diversidade e potencialidade de experiências
que o mundo oferece, se não conseguimos criar um discurso lógico para a
experiência, teremos uma perturbação psicológica.
-Cliente assume a existência de uma realidade externa/interna
absolutas, insubstituíveis. Aí está o erro, pois não consegue perceber
mudanças.
-“Assume” que não tem saída. Os significados são sempre
múltiplos, o limite do conhecimento se dá a existência. Existir é conhecer. Não
pode ser encaixado no DSM-IV, pois não pode ser limitado a isso.
-O terapeuta é um facilitador, guia de novos contextos e
narrativas.
-A perturbação vem da dificuldade de organização de uma
experiência numa narrativa coerente.
-Ao invés de ver a realidade como processo de negociação
interpessoal de possibilidades múltiplas, assume a responsabilidade de único
construtor desta realidade.
-Resultando em desânimo
e singularidade:
-Desânimo
por incapacidade de poder prever múltiplas possibilidades de negociação para
experiência sensorial, emocional, cognitiva e significações. Não perceber que
existem outras formas, além da parte limitada.
-Singularidade
pela estranheza em ver-se diferente dos outros nessa construção de experiência.
-A psicoterapia narrativa procura responder estes problemas
através da facilitação da construção narrativa. O terapeuta não é um corretor,
é um facilitador para a estimulação da criação de novas narrativas por parte do
cliente.
-Proporciona uma elaboração narrativa múltipla de conteúdo,
processualmente mais complexa e estruturalmente mais coerente, num contexto de
elaboração discursiva e conversacional com terapeuta/comunidade linguística do cliente.
Novas possibilidades de experiências, vivências, narrativas serão criadas de
forma que faça sentido para ele. Terapeuta cria espaço para isso, mas não
conduz.
A recordação
-Não há narrativa sem recordação. Não há como narrar sem se
lembrar.
-Memória semântica (significado das coisas), memória
episódica (momentos/episódios da vida).
-Capacidade de singularizar episódios significativos da vida
que faz cada indivíduo autor própria narrativa.
-Ter uma existência narrativa é ser capaz de recordar,
sincrônica/diacronicamente (saber que o outro também influenciou), múltiplos
episódios da vida.
-Recordar é sinônimo de construção de sentido de coerência
através da diversidade de experiência.
-Em suma, através da recordação, procura capacitar o cliente
a abertura à experiência e para o desenvolvimento inicial com maior sentido de
coerência na elaboração narrativa.
A objetivação
-Cliente é levado a experienciar a multiplicidade de
realidades externas através de toda dinâmica disponibilizada por capacidades
sensoriais. Através da capacidade de sentir, vai ser levado na terapia a várias
formas de sentir o que acontece lá fora. Criar novas realidades possíveis.
Recordar situações e levar o cliente a sentir de outras formas, objetivar a
situação.
-Realidade constitui um incomensurável menu que o cliente
em perturbação raramente desfruta.
-Terapeuta encoraja o cliente para a objetivação de cada
recordação episódica diária, para perceber a complexidade das experiências.
Desde do momento que acordou, cada detalhe, todas as sensações (físicas e
psicológicas).
-Cliente vai progressivamente se dando conta de que a
realidade é um contexto possibilitador de uma grande diversidade de experiências.
-Dimensão da complexidade sensorial da experiência,
permitindo a emergência de uma consciência progressiva de narrativas diárias,
podendo ser vista como ricos menus diversificados para a elaboração narrativa.
A metaforização
-Condensadores de significado.
-Através dela damos sentido recordações sensoriais,
emocionais e cognitivamente.
-Capacitar cliente produzir múltiplos significados p/ cada
memória episódica.
A subjetivação
-Trabalho de construção múltipla prossegue.
-Aqui é variedade de experiências emocionais/cognitivas que
se procura.
-Mostrar possibilidade de diversidade de experiências emocionais
do passado, presente e da procura ativa no futuro.
-Através exercícios ativação emocional, realizados sessão e
exercícios diários, procura-se alargar leque experiências emocional, p/ ser
capaz elaborar em cada situação matizes diferenciados de ressonância emocional.
A projeção
-Remete ideia indivíduo constante movimento espaço/tempo.
-Capacidade de internacionalizar de modo narrativo as experiências
do futuro.
-Cliente constrói e descontrói-se todo momento,
intencionalizando experiências que geram novas possibilidades de
intencionalização da experiência.
-Orientar cliente construir uma metáfora alternativa à
metáfora raiz que tem orientado seus sistemas conversacionais e de
significação.
-Depois cliente parte para nova revisão da história vida e
de modo a encontrar/fundamentar, no passado histórico, episódios
caracterizadores desta nova forma de significação.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
RESUMÃO: Psicopatologia Especial
Postado em Psicopatologia especial
Psicopatologia especial
– NP2
Transtornos de
personalidade
-É um transtorno que afeta toda a personalidade, inclusive
o temperamento.
-Para a psicopatologia, o conceito de caráter não diz
respeito apenas a algo moral. Diz respeito a um superego que não fechou o ciclo
do desenvolvimento (deficitário).
-Século XIX: Pinel chamou de manie sans délire
(mania sem delírio – não tinha alucinação), prejuízo das funções afetivas,
particularmente instabilidade emocional e tendência dissocial, sem prejuízo da
função intelectual e cognitiva.
-Monomanias afetivas e instintivas, Esquirol (1838), incluía qualquer comportamento aberrante, como
piromania, cleptomania em oposição à “insanidade total”.
-Morel (1857), Lombroso (1876) e Magnan (1895), postulam a
hereditariedade como fator decisivo desses transtornos.
-Morel tinha uma
premissa que a questão hereditária estava presente na psicose. Dizia que
algumas raças humanas estavam mais predispostas a desenvolver a patologia. Foi
a uma tribo e descobriu que lá havia uma prevalência muito grande de pessoas
que desenvolveram esquizofrenia. Com base nesse estudo, conclui que as
populações que estavam dispostas a desenvolver essa patologia eram todos os
povos que não fossem europeus. Essa teoria influenciou o nazismo.
-1923: Kurt
Schneider definiu a psicopatia. Em 1974 definiu 10 subtipos que inspiraram o
CID-10 e o DSM-IV: hipertímicos, depressivos, inseguros de si (ansiosos e
depressivos), fanáticos, necessitados de valorização, lábeis de humor,
explosivos, frios de sentimentos, abúlicos e astênicos.
-Teoria geral de formação de sintoma: há uma fixação e um
fator estressor atual que arca com a situação de antes e depois do sintoma.
-Definição (OMS,
1993): Transtorno grave na constituição do caráter que se caracteriza por
um padrão persistente de conduta íntima ou comportamento, que se desvia
acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, manifestando-se em,
pelo menos, duas das seguintes áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal
e controle dos impulsos (os principais sintomas se manifestam nessas áreas). O
padrão é inflexível e abrange ampla faixa de situações pessoais e sociais,
provoca sofrimento ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional do
indivíduo. Não decorrem de nenhum outro transtorno mental ou doença cerebral;
são condições de desenvolvimento que aparecem na infância ou adolescência e
continuam pela vida adulta.
-O déficit na formação do caráter tem um prejuízo global na
formação da personalidade, com fixações em diversos locais do desenvolvimento.
Portanto, a pessoa é daquela forma, é a forma que ela tem para lidar com o
mundo.
-Jamais se fecha um diagnóstico antes da vida adulta, pois
ainda está em desenvolvimento.
Etiologia
-Fatores genéticos,
constitucionais, biológicos, ambientais (trauma da
infância) e culturais.
-Fatores ambientais relacionam o
TP com prejuízos nos processos de identificação que constituem a estrutura de
base da personalidade: assim, pais que apresentam:
• Conduta antissocial;
• Frieza afetiva;
• Baixa tolerância à frustração;
• Papeis sociais difusos;
• Conflitos parentais;
• Abuso físico e/ou sexual
• Institucionalização.
Diretrizes diagnósticas segundo a CID- 10:
- Atitudes e
condutas marcadamente desarmônicas, envolvendo várias áreas de funcionamento,
por exemplo, afetividade, excitabilidade, controle de impulsos, modos de
percepção e pensamento e estilo de relacionamento com os outros.
- O padrão anormal de comportamento é permanente (sempre foi assim), de longa duração e
não-limitado a episódios de doença mental.
- O padrão anormal
de comportamento é invasivo e claramente mal adaptativo para uma ampla
série de situações pessoais e sociais.
- As manifestações
acima sempre aparecem durante infância ou adolescência e continuam pela
idade adulta.
- O transtorno leva
à angústia pessoal considerável, mas isso pode se tornar aparente apenas
tardiamente em seu curso.
- O transtorno é
usual, mas não invariavelmente associado a problemas significativos no
desempenho ocupacional e social.
Transtorno de Personalidade Antissocial
Caracteriza-se pelo
padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível
constatado pela ausência de remorsos. Essas pessoas não se ajustam às leis do
Estado simplesmente por não quererem, riem-se delas, frequentemente têm
problemas legais e criminais por isso. Mesmo assim não se ajustam.
Frequentemente manipulam os outros em proveito próprio, dificilmente mantêm um
emprego ou um casamento por muito tempo.
Aspectos essenciais
• Insensibilidade aos sentimentos alheios
• Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e
obrigações sociais de forma persistente.
• Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente
quando é do seu interesse, mas dificilmente é capaz de mantê-los.
• Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em
atitudes agressivas e violentas.
• Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de
aprender com as punições.
• Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios
lógicos, porém improváveis.
Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)
Caracteriza-se por um padrão de
relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A
instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta
por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro
sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas
para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis.
Seu comportamento impulsivo frequentemente é autodestrutivo. Estes pacientes
não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou
uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A
instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em
dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.
Aspectos essenciais:
• Padrão de relacionamento instável variando rapidamente
entre ter um grande apreço por certa pessoa para logo depois desprezá-la.
• Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos
financeiros, sexual, abuso de substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir
irresponsavelmente.
• Rápida variação das emoções, passando de um estado de
irritação para angustiado e depois para depressão (não necessariamente nesta
ordem).
• Sentimento de raiva frequente e falta de controle desses
sentimentos chegando a lutas corporais.
• Comportamento suicida ou automutilante.
• Sentimentos persistentes de vazio e tédio.
Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como
pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.
Transtorno de Personalidade Paranoide
Caracteriza-se pela
tendência à desconfiança de estar sendo explorado, passado para trás ou traído,
mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. A expressividade
afetiva é restrita e modulada, sendo considerado por muitos como um indivíduo
frio. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos frequentes
entre os paranoides. O paranoide dificilmente ri de si mesmo ou de seus
defeitos, ao contrário ofende-se intensamente, geralmente por toda a vida
quando alguém lhe aponta algum defeito.
Aspectos essenciais:
• Excessiva sensibilidade em ser desprezado.
• Tendência a guardar rancores recusando-se a perdoar
insultos, injúrias ou injustiças cometidas.
• Interpretações errôneas de atitudes neutras ou amistosas de
outras pessoas, tendo respostas hostis ou desdenhosas. Tendência a distorcer e
interpretar maleficamente os atos dos outros.
• Combativo e obstinado senso de direitos pessoais em
desproporção à situação real.
• Repetidas suspeitas injustificadas relativas à fidelidade
do parceiro conjugal.
• Tendência a se autovalorizar excessivamente.
• Preocupações com fofocas, intrigas e conspirações
infundadas a partir dos acontecimentos circundantes.
Transtorno de Personalidade Dependente
Caracterizam-se pelo
excessivo grau de dependência e confiança nos outros. Estas pessoas precisam de
outras para se apoiar emocionalmente e sentirem-se seguras. Permitem que os
outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Sentem-se
desamparadas quando sozinhas. Resignam-se e submetem-se com facilidade,
chegando mesmo a tolerar maus tratos pelos outros. Quando postas em situação de
comando e decisão essas pessoas não obtêm bons resultados, não superam seus
limites.
Aspectos essenciais:
• É incapaz de tomar decisões do dia-a-dia sem uma excessiva
quantidade de conselhos ou reafirmações de outras pessoas.
• Permite que outras pessoas decidam aspectos importantes de
sua vida como onde morar, que profissão exercer.
• Submete suas próprias necessidades aos outros.
• Evita fazer exigências ainda que em seu direito.
• Sente-se desamparado quando sozinho, por medos infundados.
• Medo de ser abandonado por quem possui relacionamento
íntimo.
• Facilmente é ferido por crítica ou desaprovação.
Transtorno de Personalidade Esquizoide
Primariamente pela
dificuldade de formar relações pessoais ou de expressar as emoções. A
indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento
sociais. A fraca expressividade emocional significa que estas pessoas não se
perturbam com elogios ou críticas. Aquilo que na maioria das vezes desperta
prazer nas pessoas, não diz nada a estas pessoas, como o sucesso no trabalho,
no estudo ou uma conquista afetiva (namoro). Esses casos não devem ser
confundidos com distimia.
Aspectos essenciais:
• Poucas ou nenhuma atividade produzem prazer.
• Frieza emocional, afetividade distante.
• Capacidade limitada de expressar sentimentos calorosos,
ternos ou de raiva para como os outros.
• Indiferença a elogios ou críticas.
• Pouco interesse em ter relações sexuais.
• Preferência quase invariável por atividades solitárias.
• Tendência a voltar para sua vida introspectiva e fantasias
pessoais.
• Falta de amigos íntimos e do interesse de fazer tais amizades.
• Insensibilidade a normas sociais predominantes como uma
atitude respeitosa para com idosos ou àqueles que perderam uma pessoa querida
recentemente.
-A Organização Mundial da Saúde entendeu que deveriam mudar
a classificação psicopatológica. O sujeito poderia ter uma infinidade de
sintomas que deixavam difícil definir qual quadro era apresentado. Nessa
revisão, passamos para uma classificação a partir de categorias de sintoma. Os
sintomas foram agrupados por semelhança e a partir daí formaram eixos de classificação.
-Mimetismo:
histérica altamente sugestionável, facilmente influenciadas (positiva e
negativamente) e tendem a reproduzir um sintoma a partir de uma “imitação”.
-A histérica tem uma carência afetiva, necessidade de ser a
melhor, preencher a falta do outro, estar junto.
-Não temos mais a descrição típica do funcionamento
dinâmico histérico. A histeria está nos transtornos da ansiedade, transtornos
fóbicos e transtornos dissociativos conversivos.
-Não fazemos distinção entre ansiedade e angústia. É um
estado em que o psiquismo fica em estado de alerta (tonalidade negativa).
Ansiedade é uma condição normal. Na saúde psíquica, ela é nosso alarme (sinal
de que algo não está bem e precisa melhorar). Se torna patológica quando vira
sintoma, quando está presente em qualquer circunstância que não tenha a ver com
a questão da sobrevivência.
-Tem uma base de depressão.
-Nos manuais atuais, os transtornos da ansiedade são
organizados em dois grandes grupos:
1. Transtornos da Ansiedade Generalizada: cujo sintoma
é a ansiedade livre e flutuante constante e permanente; tudo produz ansiedade,
angústia, medo, interpreta negativamente.
2. Ansiedade
paroxísticas: ansiedade pontual, localizada. Picos de ansiedade. Transtorno
do pânico (não tem um gatilho, objeto desencadeador) e fobia (tem um gatilho
externo a uma situação). Crises de Pânico cujo sintoma é a manifestação
da ansiedade de forma intensa e abrupta que ocorrem de forma repetitiva podem
configurar o Transtorno de Pânico.
Transtornos da
ansiedade generalizada
Critérios diagnósticos
segundo o DSM-IV
1. Ansiedade e
preocupação excessivas, na maioria dos dias, por um período mínimo de 6 meses
em diferentes atividades e eventos da vida.
2. Dificuldade em
controlar a preocupação e ansiedade que por sua vez relacionam-se aos seguintes
sintomas:
Inquietação ou sensação de “estar com os nervos à flor da
pele”
Cansaço fácil, fadigabilidade
Dificuldade em concentrar-se, sentir um “branco na mente”
Irritabilidade, “pavio curto”
Tensão muscular, dificuldade em relaxar
Alterações do sono: dificuldade me pegar no sono e/ou
mantê-lo.
3. O foco da
ansiedade e/ou preocupação não é decorrente de outro transtorno mental (como
medo de ter crises de pânico, ser contaminado -no caso do TOC-, ganhar peso –
no caso da anorexia -etc).
4. Ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam
sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social.
-O foco da ansiedade não pode ser outra patologia, exemplo
TOC ou anorexia. Não é decorrente de outro transtorno mental.
-Crise de pânico
é episódica. O transtorno de pânico
se define pela frequência das crises.
-Hiperatividade
autonômica: sistema nervoso central e nosso aparato vegetativo.
Ataques de pânico e transtorno de pânico
Critérios Diagnósticos
para crises de pânico segundo DSM-IV
Ataque ou crise de pânico
Período de intenso desconforto ou de sensação de medo com
pelo menos quatro dos seguintes critérios:
1. Palpitações ou taquicardia
2. Sudorese
3. Tremores
4. Sensações de falta de ar ou sufocamento
5. Sensações de asfixia
6. Dor ou desconforto torácico
7. Náusea ou desconforto abdominal
8. Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
9. Desrealização (sensações de irrealidade, de que o
ambiente familiar está estranho) ou despersonalização (estar distante de si
mesmo)
10. Medo de perder o controle ou enlouquecer
11. Medo de morrer
12. Parestesias (anestesia ou sensação de formigamento)
13. Calafrios ou ondas de calor
-A porta de entrada do panicado é o pronto-socorro. A
pessoa acha que vai morrer.
-Sintomas gastrointestinais também são comuns no pânico.
-A manifestação da ansiedade nem sempre vem de forma clara,
pois vem como sintomas físicos.
Transtorno ou síndrome de pânico
- Ataques de pânico
de forma repetitiva e inesperada
- Pelo menos um dos
ataques foi seguido por período mínimo de um mês com os seguintes
critérios:
Preocupação persistente de ter novos ataques
Preocupação sobre implicações ou consequências dos ataques
como perder o controle, enlouquecer ou ter um infarto
Alterações do comportamento relacionadas aos ataques
Presença ou não de agorafobia associada.
-O psiquismo busca explicações para os ataques de pânico.
Pessoa fica preocupada se está presente onde não há lugares fáceis de escape
(agorafobia). Pessoa começa a restringir a vida.
Critérios Diagnósticos
para Transtorno de Pânico (ansiedade episódica paroxística) segundo critérios
do CID-10
- O indivíduo é
acometido por ataques de pânico recorrentes que não são consistentemente
associados à situação específica ou a objeto e que frequentemente ocorrem
de forma espontânea (ou seja, os episódios são imprevisíveis). Os ataques
não são associados a exercícios ou à exposição a situações perigosas.
- Um ataque de
pânico é caracterizado pelos seguintes critérios:
É um episódio delimitado de intenso medo ou desconforto;
Começa de forma abrupta;
Alcança picos em poucos minutos e dura apenas alguns
minutos;
Pelo menos quatro dos sintomas abaixo devem estar
presentes, um dos quais deve estar entre os itens (a) a (d):
Sintomas de ativação autonômica
Palpitações, “batedeira” ou frequência cardíaca aumentada;
Sudorese;
Tremores;
Boca seca (não devida a medicamentos ou desidratação)
Sintomas que envolvem o tórax e abdome
Dificuldade respiratória
Sensação de sufocamento
Dor ou desconforto no peito
Náusea ou mal-estar abdominal
Sintomas que envolvem o estado mental
Sensação de tontura ou desfalecimento
Desrealização ou despersonalização
Medo de perder o controle, ficar louco, desmaiar;
Medo de morrer.
Sintomas Gerais
Calafrios ou ondas de calor
Parestesias (dormência ou formigamento)
Cláusulas
de exclusão mais comuns. Os ataques de pânico não são resultantes de doença
física, transtorno mental orgânico ou outros transtornos mentais, como
esquizofrenia e transtornos relacionados, transtornos afetivos ou somatoformes.
Transtorno de pânico com agorafobia
Critérios diagnósticos
para agorafobia: DSM-IV
- Ansiedade acerca
de estar em locais ou em situações onde possa ser difícil (embaraçoso)
escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível, na eventualidade de ter
um ataque de pânico inesperado ou predisposto pela situação, ou sintomas
tipo pânico. Os temores agorafóbicos tipicamente envolvem agrupamentos
característicos de situações que incluem: estar fora de casa
desacompanhado, estar em meio a uma multidão ou permanecer em uma fila,
estar em uma ponte, viajar de trem, carro ou automóvel. Nota: considerar o
diagnóstico de fobia específica, se a esquiva limita-se apenas a uma ou
algumas situações específicas, ou de fobia social, se a esquiva limita-se
a situações sociais.
- As situações são
evitadas (por ex. viagens são restringidas) ou suportadas com acentuado
sofrimento ou com ansiedade acerca de ter um ataque de pânico ou sintomas
do tipo pânico, ou exigem companhia.
- A ansiedade ou
esquiva agorafóbica não é melhor explicada por outro transtorno mental,
como fobia social (p.ex. a esquiva limita-se a situações sociais pelo medo
do embaraço), fobia específica (p. ex. , a esquiva limita-se a única
situação, como elevadores), transtorno obsessivo-compulsivo (p.ex., a esquiva
à sujeira, em alguém com obsessão de contaminação), transtorno do estresse
pós-traumático (p. ex. esquiva associada a um estressor grave) ou
transtorno de ansiedade de separação (p.ex. esquiva a afastar-se do lar ou
de parentes).
Fobia social
Fobia é o medo persistente e irracional de
objetos específicos, atividade ou situação que não são considerados perigosos.
O portador reconhece que seu medo é excessivo e irracional. Sua característica
fundamental é a esquiva fóbica, ou seja, o indivíduo procura evitar o contato
com os estímulos geradores de ansiedade e, se isso não for possível, apresenta
importantes manifestações de ansiedade que podem tomar a forma de crise de
pânico.
Enquanto a
ansiedade social normal pode permitir ao indivíduo focalizar a atenção e evitar
comportamentos inadequados, os sintomas da fobia social, por definição,
interferem negativamente no desempenho ou causam sofrimento significativo.
(Schneier, 2005).
Dois grandes eixos de
classificação:
-Fobias sociais:
gama grande de situações. Não come em público, não vai banheiro público, não
assina em público.
Medo exagerado e persistente de avaliação negativa feita
por outras pessoas quando o indivíduo se encontra em situações sociais ou de
desempenho. A exposição a essas situações ou mesmo a sua simples antecipação
geram sintomas físicos de ansiedade que podem se intensificar e gerar uma crise
de pânico.
Sintomas autonômicos como rubor, sudorese, tremores e
taquicardia podem estar presentes.
Presença de ansiedade antecipatória e comportamento
evitativo.
-Afiançamento: o
fóbico pede para outras pessoas irem com eles a determinados lugares que lhe
parecem aflitivos.
-Transtorno de
stress pós-traumático: desenvolvido a partir de uma situação traumática
real, específica.
Fobia social
Situações comuns: participar de festas ou reuniões, ser
apresentado a alguém, iniciar ou manter conversas, falar com pessoas em posição
de autoridade, receber visitas em casa, ser observado durante alguma atividade
(comer, beber, falar, escrever, votar, usar o telefone), utilizar banheiros
públicos, ser alvo de brincadeiras ou piadas, outros temores são o de poder vir
a vomitar, tremer, suar ou enrubescer na frente dos outros.
A evolução é crônica e sem períodos de remissão, o que
resulta em incapacitação cumulativa importante. O início precoce compromete a
aquisição normal de habilidades sócio educacionais em um período crítico da
adolescência.
-O que caracteriza a fobia é a permanência de sintomas.
-Fobia começa na infância.
-Terapia cognitivo-comportamental funciona bem para fobias.
Fobias específicas
-Correspondem a fobias isoladas, restritas a situações ou
objetos específicos, como certos animais ou insetos, altura, trovão, escuridão,
andar de avião, espaços fechados, certos alimentos, tratamento dentário, visão
de sangue e ferimentos, etc.
-Crise de ansiedade na fobia é muito intensa.
Transtorno obsessivo
compulsivo - TOC
-TOC: fixação no 2º subestágio anal.
-O mundo social faz uma intervenção importante na vida da
criança: retirada da fralda. Para a criança fazer essa passagem, precisa de um
recalque das funções anais.
-No 1º subestágio anal a criança percebe que possui coisas.
Vive um prazer pela expulsão das fezes. No 2º, o cuidador começa a colocar
ordem (recalque importante rumo a genitalidade). A criança, gradativamente,
substitui o prazer pela expulsão das fezes pelo prazer pela retenção das fezes.
Momento que a criança se desilude muito com a mãe, pois o que tinha graça
(fazer cocô), não tem mais. Pensa o que precisa fazer para garantir o amor materno,
mas não sabe o que, vai por tentativa e erro. Quando percebe que é valorizada
por conseguir se controlar, sente um prazer. O excesso de valorização familiar
sobre essas tendências da criança, garante a fixação. Se a mãe repudia muito,
pode ser um fator predisponente para o TOC. Outro fator é a questão da
supervalorização que a mãe faz desse comportamento adequado da criança.
-É comum em famílias que tem violência paterna (mãe se
coloca na frente do filho para proteger).
-É um transtorno psicopatológico grave e se manifesta muito
cedo (infância). Nossa cultura tem a tendência de valorizar o sintoma obsessivo
(todo mundo adora, pois não é criança).
-A característica principal do TOC é a recorrência de
pensamentos obsessivos e atos compulsivos.
-Pensamentos
Obsessivos são ideias, imagens ou impulsos reconhecidos como do próprio
indivíduo que invadem a consciência de forma repetida e estereotipada, causando
mal-estar, levando a pessoa a procurar afastá-los, porém sem sucesso.
-Compulsões
são comportamentos estereotipados, repetidos, que não levam à conclusão de
nenhuma tarefa. Têm a função de prevenir que algum evento desagradável, pouco
provável aconteça. O paciente reconhece o absurdo de sua atuação, procura
resistir, mas não consegue controlar.
Compulsões mais frequentes:
-Limpeza ou desinfecção; Verificação; Contar ou repetir um
número mágico de vezes, por ex. 33 por ser a idade de Cristo; Tocar
determinados objetos um certo número de vezes ou seguindo uma sequência
determinada; Ordenar, organizar seguindo regras próprias; Colecionismo, acúmulo
de objetos.
Sintomas que devem
estar presentes:
-Esquiva; Lentificação; Rituais cognitivos: a pessoa
procura corrigir as obsessões com a imaginação; Antecipações de catástrofes:
obsessão de dúvida acompanhado da imagem de catástrofe. Ex: dúvida sobre o
desligamento do gás e imagem da casa explodindo.
Transtornos
somatoformes
-Antiga histeria.
-Sintoma se manifesta somaticamente (no corpo), através de
quadros dolorosos persistentes ou não.
-Categoria diagnóstica, cujo principal sintoma é uma
manifestação clínica sem base orgânica que justifique, mesmo quando há
alteração no órgão.
-Sintomas não remidem, pois têm origem psicológica. As
pessoas vivem em consultório médico. Outra característica é a importância que
tem para os sujeitos que sofrem desses transtornos em falar de sua dor física
para alguém. O sintoma é para o médico.
Classificação
A classificação é difusa tendo em vista a
existência de duas perspectivas médicas, a psiquiátrica e a não-psiquiátrica.
Além disso, a presença de co-morbidades, a
falta de definições claras para a categoria como um todo, a gravidade de alguns
subtipos de transtornos – sobretudo a hipocondria e transtornos da somatização
– que deveriam ser classificados como Transtornos da Personalidade, contribuem
para inconsistências no diagnóstico.
-A pessoa chega relatando uma dor física, a primeira coisa
que fazemos é investigar o que a pessoa já fez a respeito daquilo.
-Geralmente trata com antidepressivo.
-A angústia está “colada” no corpo, o sintoma é a
manifestação dessa angústia.
-A partir do momento que manifesta o sintoma físico, é como
um “start” para um sistema psicológico que não para. Daí a razão de tomar
medicamento. Exemplo: todo stress que a pessoa tiver, traz tudo de volta e
manifesta no corpo.
-Se a pessoa converte a angústia em dor, em sintoma físico,
ela faz qualquer outra coisa.
-Síndrome do cólon irritado: crônico, tem diarreia, perde
vitaminas, não tem base orgânica, a alteração pode produzir mudanças no órgão.
-Os indivíduos devem ter passado por pelo menos três
filtros obrigatórios:
- Busca pelo auxílio
médico mediante a presença do sintoma;
- Reconhecimento
como quadro de natureza psíquica pelo médico;
- Encaminhamento
para serviço de saúde mental.
Subtipos segundo classificação do CID-10:
• Transtornos da Somatização (F45.0)
• Transtorno Hipocondríaco (CID 10) ou Hipocondria (DSM-IV)
• Transtorno Dismórfico Corporal (DSM-IV) ou Dismoforfobia
(CID-10)
• Transtorno Somatoforme Doloroso persistente (CID-10) ou
Transtorno Doloroso (DSM-IV)
• Transtorno Neurovegetativo Somatoforme (CID-10)
• Transtorno Somatoforme Indiferenciado, outros Transtornos
Somatoformes (CID-10) e Transtorno Somatoforme sem outra especificação.
• Síndromes Funcionais
-Os sintomas decorrem de conversões histéricas/estruturas
histéricas de personalidade. A pessoa passa por questões de stress crônico, o
que produz uma energia que não é metabolizada pelo psiquismo por falta de
tempo. O excedente dessa energia é convertido/dirigido para um órgão ou
enervação somática. Tem uma base depressiva, em geral se trata com psicoterapia
e antidepressivo. O manejo clínico é difícil, pois a pessoa acredita que a base
é orgânica e tem dificuldade de simbolizar.
Transtornos da Somatização (CID-10, F45.0)
- História de um ou
mais anos de queixas físicas múltiplas e ausência de doenças físicas que
justifiquem os sintomas ou o grau de prejuízo a eles associados.
- Angústia com os
sintomas leva a uso repetido de serviços de saúde formais ou alternativos;
- “B” se mantém
mesmo com o reasseguramento médico;
- Seis ou mais
sintomas em dois ou mais grupos diferentes (gastrintestinais,
cardiovasculares, geniturinários, cutaneodolorosos).
- Os sintomas não
são explicados por outro transtorno mental.
Transtorno Hipocondríaco (F45.2)
- Crença por seis
meses ou mais na presença de até duas doenças físicas sérias. A vivência é
de um corpo que não se sustenta.
- Preocupação com
“A” causam angústia ou interferência na vida diária e levam a busca por
ajuda de serviços de saúde formais ou alternativos.
- Recusa ou
relutância em aceitar o reasseguramento médico.
- Os sintomas não
são explicados por outro transtorno mental.
• Dismorfofobia (corporal) (não-delirante);
• Hipocondria;
• Neurose hipocondríaca;
• Nosofobia.
Transtorno Doloroso SF persistente (F45.4)
- Dor persistente,
grave e angustiante por, pelo menos seis meses e continuamente na maioria
dos dias, sem explicação adequada pela evidência de processo fisiológico
ou distúrbio físico e que é o principal foco de atenção do paciente,
- Os sintomas não
são explicados por outro transtorno mental.
- Incluí: Cefaleia
psicogênica, dor psicogênicas da coluna vertebral
Transtorno Neurovegetativo Somatoforme (CID-10)
- Aerofagia, colón
irritável, diarreia crônica, dispepsia, disúria, flatulência, hiperventilação,
piloropasmo, polaciúria, soluço, tosse, neurose gástrica.
- Em geral, os
quadros são polisintomáticos e vêm acompanhados por sintomas
neurovegetativos ou queixas difusas.
- Não pode haver
queixas de lesão orgânica e não é exigida, embora comum, a relação com
fatores psicossociais.
Transtorno Somatoforme
Indiferenciado, outros Transtornos Somatoformes (CID-10) e Transtorno
Somatoforme sem outra especificação.
-Essas três categorias representam “resíduos” não
alcançados pelos diagnósticos anteriores.
Transtornos
Somatoformes Indiferenciados
Apresentação
somatoforme polissintomática e causadora de sofrimento e busca de auxílio
médico, porém sem preencher os critérios para transtorno de somatização ou para
outros transtornos somatoformes. Forma mais branda de Transtorno da
Somatização, porém sem a mesma consistência conceitual que justifique
empiricamente os critérios que a definem. Disfagia psicogênica, incluindo
"bolo histérico“, dismenorréia psicogênica, prurido psicogênico, ranger de
dentes, torcicolo psicogênico.
Transtorno Somatoforme sem outra especificação
. Fibromialgia
• Dor generalizada nos quatro quadrantes do corpo pelo mínimo
de três meses.
. Sindrome do Collon Irritável
• Doze semanas, consecutivas ou não, nos 12 meses anteriores,
de desconforto ou dor abdominal com pelo menos duas das seguintes
características:
Melhora com a evacuação; e/ou início associado com mudança
de hábito intestinal; e/ou início associado com mudança na consistência das
fezes.
Transtornos
dissociativos (ou conversivos)
-Funcionam individualmente; relacionado às formações
reativas para ter civilidade.
Fenômenos
Dissociativos
As características em comum compartilhadas pelos
transtornos dissociativos (ou conversivos) (TDCs) são a perda parcial ou completa
da integração normal entre memória, consciência da própria identidade,
sensações e controle dos movimentos corporais (WHO, s/d).
O termo
foi popularizado por Pierre Janet por volta de 1880, para designar
“desagregações psicológicas”: perda da unidade de funcionamento da
personalidade humana, com o desprendimento de uma parcela autônoma que
originaria diversos automatismos motores ou sensoriais fora do controle
consciente (Janet, 1889).
Conceito (DSM-IV)
A mente é
composta por um sistema com vários módulos em constante interação, originando a
unidade da consciência. Em situações normais, há integração entre esses
módulos, mas na dissociação esses sistemas cognitivos começam a perder sua
conexão e podem funcionar de modo autônomo.
(DSM-IV): “uma
ruptura nas funções habitualmente integradas da consciência, memória,
identidade ou percepção do ambiente” (APA, 1994).
Conceito
Cardeña (1994):
• Dissociação como módulos mentais semi-independentes:
coexistência de sistemas mentais separados que deveriam ser integrados na
consciência, na memória ou na identidade do indivíduo: transtornos de
personalidade múltipla, estados de transe e flashbacks de memórias
traumáticas.
• Dissociação como perda da conexão entre o indivíduo e o
ambiente ou o “eu”: desrealização e despersonalização.
• Dissociação como mecanismo de defesa inconsciente: amnésia
dissociativa, la belle indiference e fuga dissociativa.
Características clínicas
Origem
Psicogênica apresentando estreita relação temporal com eventos traumáticos,
problemas insolúveis ou intoleráveis ou relações pessoais deterioradas de forma
grave. O termo “conversão” relaciona-se ao princípio de que problemas psíquicos
não solucionáveis foram “convertidos” em sintomas físicos. Tais pacientes
costumas apresentar a marcante negação de problemas e dificuldades pessoais que
são evidentes para os outros. (WHO, s/d; Hurwitz, 2004).
• CID-10: o início e o término dos estados dissociativos são
comumente súbitos, tendem a remitir em horas, dias ou em poucas semanas,
particularmente se o início se associou a situações traumáticas.
Subtipos:
- Amnésia dissociativa (F44.0): esquecimento de algum momento da
vida; pode ser temporário; pode estar relacionado a identidade.
- Fuga Dissociativa (F44.1): pessoa muda de identidade e
esquece da anterior; tende a ser transitório (volta a lembrar).
- Estupor Dissociativo (F44.2): pessoa fica robotizada; desafetiviza;
fica em uma realidade paralela; está ali, mas não está.
- Transtornos de Transe e Possessão (F44.3): possessões histéricas; pessoa
encarna uma entidade X.
- Transtornos Dissociativos do Movimento e
Sensação (F44.4 a 44.7):
ronquidão histérica, cegueira histérica, crises que parecem convulsões,
paralisias.
- Síndrome de Ganser (F44.80): amnésia para cálculos
aritméticos.
- Transtorno de Personalidade Múltipla (F44.81):
- Síndrome de
Despersonalização-Desrealização
(F48.1): vivência temporária que está em um filme; o que está acontecendo
não é real; ela não está no corpo.
Transtornos Mentais relacionados ao álcool e substâncias
psicoativas
-Historicamente o uso de substâncias psicoativas esteve
ligado à finalidades curativas, religiosas, culturais e de lazer. Os primeiros
registros datam referem-se ao uso da fibra da maconha em tecidos na China, há
cerca de 6.000 anos e, há cerca de 4.000 anos o uso do ópio e álcool entre os
egípcios.
-Um dos marcos importantes da história contemporânea das
substâncias psicoativas é a caracterização da dependência química como uma
doença multicausal de evolução crônica caracterizada por recaídas frequentes.
-O que define o adicto não é a quantidade, mas sim o tipo
de relação que se estabelece.
-Os quadros de intoxicação, abuso e dependência de álcool e
outras substâncias psicoativas, caracterizam-se por uma forma particular de
relação entre os seres humanos e as substâncias químicas que apresentam ação definida
sobre o sistema nervoso central (SNC) e, consequentemente, sobre o psiquismo
(Meyer, 1996; Camí; Farré, 2003).
-Substância Psicoativa é qualquer substância química que, quando ingerida,
modifica uma ou várias funções do SNC, produzindo efeitos psíquicos e
comportamentais. São consideradas substâncias psicoativas: álcool, maconha,
cocaína, café, chá, diazepan, nicotina, heroína, etc.
Neurobiologia
-As sensações de prazer ou excitação produzidas por estas
substâncias estão vinculadas às chamadas áreas de recompensa do cérebro responsáveis
por atribuir prazer a um determinado comportamento.
-Toda vez que um estímulo recompensador é apresentado ao
indivíduo – alimentos, sexo, drogas, água, convívio social – há liberação de
dopamina nas regiões –alvo (córtex pré-frontal e núcleo acumbente).
-Os estímulos artificiais oferecidos pelas substâncias
aditivas sobre o sistema de recompensa leva a uma produção de dopamina de duas
a dez vezes maior que qualquer outro estímulo recompensador natural, o que
propicia o estabelecimento da adição.
-O mecanismo de prazer gerado pela droga é muito rápido e
absorvido pelo sistema límbico. A dificuldade de sair disso é de que não há
nada que combata isso.
Fenômenos
neurobiológicos que integram a adicção ou dependência:
• Intoxicação: síndrome
reversível específica – alterações comportamentais ou mentais, como prejuízo do
nível de consciência e outras alterações cognitivas, beligerância (pessoa
briguenta, irritada), agressividade e/ou humor instável – causada por
substância psicoativa.
• Abuso: uso recorrente ou
contínuo de uma substância psicoativa, lesivo ou mal adaptativo levando a
prejuízos ou sofrimento clinicamente significativos. Os prejuízos refletem na
vida familiar do sujeito, fracasso escolar, brigas, etc... Envolvimento
recorrente em situações nas quais há perigo para a integridade física do
sujeito: dirigir veículos, atividade sexual com desconhecidos, operar máquinas,
etc.
• Uso nocivo: mais
restrito do que o abuso, refere-se a um padrão de uso que causa danos à saúde
física (esofagite ou hepatite alcoólica, bronquite por tabagismo) ou mental
(depressão) (OMS, 1993).
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Trabalho de PPP
II – Métodos
-Sujeitos: quem? Quantos? Onde? Por que? Função; faixa etária; gênero; escolaridade; sócio econômico.
-Instrumentos (coleta de dados e análise de dados): indicar/justificar o instrumento (que tipo de entrevista? Por que entrevista? Segundo quem? Por que observação? Análise de dados por análise de conteúdo); descrever os procedimentos. O roteiro da entrevista deve estar pronto.
-Ressalvas éticas: quais os cuidados éticos?
-Aparatos: materiais utilizados na entrevista e na análise (não entra o roteiro de entrevista, este será citado nos instrumentos da coleta de dados) – gravador, software, caderno de campo etc.
-Cronograma: resultados, discussão e conclusão.
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